Brasília, 07 (AE) - O dalai-lama Tenzin Gyatso recebeu, hoje pela manhã, na Universidade de Brasília (UnB), o título de honoris causa. O líder religioso falou para uma platéia de quase cinco mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar. Falando em inglês, o monge era aplaudido a cada conclusão de uma idéia, "simples e óbvia", como comentou o presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista, Henry Sobel. "Todos trazemos o desejo de ser feliz e superar o sofrimento", disse, comentando ainda que a paz de espírito ocorre apenas no nível mental e que dinheiro nenhum pode comprar.
Para o monge, a "paz não é a ausência de violência". "Se fosse assim, poderíamos dizer que uma pessoa de braços cruzados, indiferente, estaria praticando a paz. Mas a paz é o reflexo de atitude interna de compaixão", defendeu. Conhecido por defender a não-violência, o dalai-lama ensinou que o maior obstáculo para se seguir esse caminho é o ódio que cada um traz no coração. "O ódio faz o homem pegar em armas e destruir".
Ele contou que quando era pequeno ficava fascinado com os uniformes e armas do Exército. Mas cresceu e descobriu que por mais "interessante e engenhosa" a arma somente serve para matar. "Uma pessoa boa é a que traz calor no coração". Na sua passagem pela UnB, o líder tibetano deixou a imagem de um moleque travesso e de um homem simples que as pessoas querem tocar e abraçar.
Deram a ele uma corda de nylon para de longe acionar um enorme sino, colocado ao lado do palanque. A cada badalada, o dalai ria muito. Ele demonstrava satisfação com o aconchego do público e deu muito carinho ao garoto Rafael de Almeida Nunes, 10 anos, que conseguiu dar um beijo em seu rosto. "O senhor não pára de rir", admirou-se Marco Terena, chefe do comitê tribal e articulador dos interesses indígenas junto à Organização das Nações Unidas (ONU) e um dos representantes das entidades religiosas a homenagear o dalai na UnB. Terena convidou o monge para voltar ao Brasil no próximo ano e participar do encontro que os índios farão paralelamente à comemoração dos 500 anos de descobrimento. O líder aceitou o convite.

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