Dalai Lama prega prática da meditação
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Evandro Fadel Agência Estado 
O Dalai Lama Tenzin Gyatso afirmou ontem, em Curitiba, no último dia do seminário Valores Humanos e sua Prática na Vida Cotidiana, organizado pelo Comitê Brasileiro de Apoio ao Tibete, que a meditação é também um sinal de que a pessoa está se dedicando aos outros. Quem faz uma prática assim não tem nada de passividade, afirmou. Hoje, o Dalai Lama estará em Brasília, onde participa de um encontro religioso na Universidade de Brasília (UnB) e de uma conferência no Congresso Nacional sobre Responsabilidade Universal.
Segundo o líder tibetano, a meditação é importante para afastar as emoções negativas e os inimigos interiores. Os inimigos externos representam experiências curtas, o que é mais importante é o que está em sua mente, afirmou. Ao meditar, disse, a pessoa está tentando combater os impulsos extremos de egoísmo. É uma luta travada minuto após minuto, dia após dia, ano após ano, era após era, explicou.
O Dalai Lama entende que a pessoa pode entrar em contato com o seu eu, mas para isso precisa eliminar as interferências externas. A princípio pode ser uma experiência vazia, mas se continuarmos, teremos a experiência da natureza última da mente, que é luminosa, isenta de qualquer mácula. Segundo o ensinamento budista, na mente surgem as emoções. As negativas, como o apego e o ódio, aparecem espontaneamente. Outros sentimentos mais sólidos, como a compaixão, embora todos tenham a semente, não aparecem espontaneamente, afirmou.
De acordo com ele, os sentimentos positivos são resultado de treinamento, de meditação. Quando a pessoa pretende operar uma mudança na mente tem que saber distinguir os elementos positivos e negativos, para eliminar os destrutivos e cultivar os construtivos, disse. As emoções fundadas em base sólida, se vierem fundamentadas por uma análise correta, serão mais potentes, vão suplantar as emoções negativas.
Tenzin Gyatso admitiu que nem sempre é possível manter a calma diante dos fatos que ocorrem no mundo. Os ensinamentos budistas falam do cultivo da compaixão e do perdão e tento fazer essas práticas, mas às vezes fico impaciente e meio estourado, confessou. Ele comparou essa emoção com o oceano. Apesar das ondas fortes na superfície, por baixo as águas estão calmas e estáveis.
Ontem pela manhã, o líder tibetano encontrou-se com o governador do Paraná, Jaime Lerner, e com o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, para um café da manhã. Ele elogiou a cidade por ter visto a clara consciência sobre meio ambiente. Ressaltando que não tem muito conhecimento dos problemas da Amazônia, ele voltou a pedir sua preservação. Desejo que um espírito similar ao que encontrei aqui se mova para aquela área, disse.
Acostumado a se recolher para dormir às 20 horas, o Dalai Lama não assistiu a todo o show em sua homenagem (v. na Folha Dois) na noite de anteontem. Mas subiu ao palco junto com a apresentadora Maitê Proença e os cantores Gilberto Gil, Rita Lee e Elba Ramalho entregando a cada uma echarpe branca, símbolo da paz, conforme manda a tradição tibetana. O líder budista disse que estava comovido em ver as cerca de 10 mil pessoas sorrirem. O sorriso no rosto significa coração caloroso, o que faz diminuir o medo e aumentar a coragem, afirmou.


