Curitiba, 04 (AE) - O dalai-lama ("guru grandioso como o oceano") Tenzin Gyatso disse hoje que os 40 anos de exílio em Dharamsala, na Índia, foram "muito triste, mas ao mesmo tempo trouxeram muitas oportunidades de conhecer pessoas e viajar para diferentes países e aprender diferentes situações". Em rápida entrevista, ele evitou mas não se recusou a responder sobre a situação política da China. "Apesar de toda a tristeza, penso que as coisas estão mudando para melhor." O dalai-lama disse estar "otimista" com a possibilidade de retornar ao Tibete.
Ele participa amanhã (05) e na terça-feira (06) do seminário Valores Humanos e Sua Prática Cotidiana, no Teatro àpera de Arame, em Curitiba, a convite do Comitê Brasileiro de Apoio ao Tibete. Estão sendo esperadas mais de 2 mil pessoas. Sorridente e cercado por policiais federais, o líder espiritual tibetano chegou hoje pela manhã ao Aeroporto Afonso Pena, sendo recebido por vários adeptos do budismo e por um coral de crianças. Ele recusou a suíte presidencial do Hotel Rayon, optando por apartamento mais simples.
Filho de agricultores, Tenzin Gyatso nasceu em Takster, no norte do Tibete, em 1935. Aos dois anos, foi reconhecido como 14ª reencarnação do príncipe Cherezig, buda que representa a compaixão. Com quatro anos, separado da família, o menino foi levado por monges ao Palácio de Potala, em Lhasa, capital do Tibete, tornando-se chefe espiritual do budismo tibetano. Em 1950, quando o exército comunista da China invadiu o Tibete, Tenzin Gyatso, então com 15 anos, assumiu o poder político de seu povo. Nove anos depois, o dalai-lama exilou-se em Dharamsala
na Índia, de onde governa os tibetanos.
Na entrevista de hoje, o Prêmio Nobel da Paz de 1989 repetiu os ensinamentos de paz e responsabilidade universal que vem difundindo pelo mundo. Segundo ele, as diferenças sociais e econômicas são fruto da violência. No entender do líder budista, não apenas essas diferenças são condenáveis, como se tornam fonte de novos problemas sociais. "Há valores humanos básicos que não podem ser ignorados, como o senso de responsabilidade dos seres humanos cuidarem um dos outros", disse.
"Cultivar esses valores é importante para contribuir com a diminuição da violência em todas as suas formas." O dalai-lama aproveitou o dia de Páscoa para enviar uma mensagem à população brasileira. "Hoje é um bom dia para recordarmos a mensagem de Cristo sobre o amor e a compaixão", afirmou. "São valores importantes que devem ser implementados na nossa vida no dia-a-dia". Além do seminário, está programado para amanhã (05) à noite um show, na Pedreira Paulo Leminski, com a presença de Gilberto Gil, Rita Lee, Elba Ramalho e dos Monges Cantores do Mosteiro de Drepung (Índia).
Na quarta-feira, o líder budista estará em Brasília para a Celebração pela Paz e Renovação da Esperança, na Catedral Basílica. Ele deve se encontrar com os presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães, e com o presidente da Câmara, Michel Temer. O dalai-lama também poderá ser recebido em audiência pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Depois, viajará para Buenos Aires, na Argentina.

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