DaimlerChrysler fatura US$ 154,6 bilhões e lucra em todas as divisões
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Marli Olmos 
Stuttgart, Alemanha, 31 (AE)- O grupo DaimlerChrysler faturou no ano passado US$ 154,61 bilhões, 12% mais do que em 1997. Para 1999, o grupo espera obter US$ 160,84 bilhões. Já nos primeiros dois meses do ano, o faturamento atingiu US$ 23,71 bilhões, 6% mais do que em igual período de 1998. Mas a "recessão no Brasil e crescimento mais lento na Argentina" devem retardar crescimento do grupo no ano 2000 na América Latina. A preocupação foi destacada pela direção da companhia hoje, na Alemanha, na primeira entrevista coletiva após a fusão entre o grupo alemão Daimler Benz e o americano Chrysler.
A América Latina foi apontada como a que merece maior preocupação por Robert Eaton, que divide a presidência da empresa com Jurgen Schrempp. No discurso a centenas de jornalistas de todo o mundo, Eaton demonstrou entusiasmo com a América do Norte porque a taxa de inflação é baixa. A ásia ainda "é uma fonte de preocupações", segundo ele, sobretudo o Japão. Mas, segundo disse, a longo prazo o potencial de crescimento é bom.
Crise- Ao falar da América Latina, no entanto, o executivo disse que devido à recessão no Brasil e desenvolvimento econômico mais lento na Argentina, a empresa prevê retardar seu crescimento até o ano 2000. A crise já refletiu, por exemplo, na produção do Classe A, o carro que será fabricado em Juiz de Fora, Minas Gerais, na planta a ser inaugurada no próximo dia 23. A empresa prevê produzir este ano 30 mil unidades do veículos, 10 mil menos do que o inicialmente programado, segundo o presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Ben van Schaik.
Balanço - Todas as divisões da DaimlerChrysler apresentaram lucros no ano passado. O lucro operacional atingiu crescimento de 38%, num total de US$ 10,082 bilhões. A receita líquida somou US$ 5,656 bilhões, 19% mais do que em 1997. O dividendo por ação foi de US$ 2,75. No ano passado, a empresa abriu 19 mil novos empregos nos 34 países em que atua, fechando o ano com 441.502 empregados. Os planos de investimento somam US$ 54 bilhões entre este ano e 2001.
Os veículos comerciais foram os principais responsáveis pela maior parte dos lucros do ano passado, graças aos ganhos no Nafta e Europa. Este segmento registrou aumento de 177% no lucro operacional. A divisão de aeronaves, que participa do consórcio Airbus, lucrou 119% mais. Os serviços financeiros registraram aumento de 59%, os carros de passeio da Mercedes 16% e os da Chrysler 25%. Os planos de aumento do faturamento prevêem o adicional de US$ 20 bilhões até o ano 2001, o que representaria a soma de US$ 180 bilhões por ano.
Fusão - Os primeiros resultados da DaimlerChrysler mostram que a fusão deu certo e indica que muitos outros grupos do setor automotivo devem se fundir até a virada do século. A própria direção da DaimlerChrysler admite interesse em empresas da ásia. O grupo chegou a disputar a parte da Nissan que foi adquirida pela francesa Renault no final da semana passada.
A direção da empresa atribuiu à sinergia entre os dois grupos o ganho de rentabilidade e capacidade de ganhos adicionais no futuro. Conforme antecipado pela Agência Estado segunda-feira, a DaimlerChrysler confirmou que a fusão vai resultar numa economia de US$ 1,4 bilhão somente este ano. Até o ano 2001, a meta é alcançar uma economia de US$ 3,5 bilhões.
Entre as ações já tomadas para implementar a sinergia, a direção da companhia destacou a possibilidade de aumentar a produção do Classe M, nos Estados Unidos, graças à instalação da mesma linha numa planta da Chrysler.
Oito grupos trabalham em 40 sub-projetos para identificar áreas com potencial para otimização de compras em comum de Mercedes-Benz e Chrysler. As duas marcas também se uniram nos investimentos de pesquisa, incluindo novos combustíveis. "Esta foi uma das mais dinâmicas fusões entre duas empresas", destacou Schrempp. No Brasil, a sinergia começará a ser implementada este ano, segundo Ben van Schaik.


