Curitiba-O banco de dados sobre as indústrias do Paraná está desatualizado, há dois anos, no que diz respeito a quais resíduos elas geram, o volume, qual o tratamento utilizado e a destinação final desse material. Durante o seminário ''Gerenciamento de Resíduos Sólidos Industriais'', realizado em Curitiba, o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente aproveitou para cobrar do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) o Inventário de Resíduos Industriais do Estado que está com os relatórios referentes a 2004 e 2005 inacabados. Só foram apresentados no evento os balanços de 2002 e 2003.
A engenheira química do Departamento de Licenciamento de Atividades Poluidoras do IAP, Ana Cecília Nowacki, disse que os relatórios não foram fechados porque o próprio órgão não consegue ter acesso às informações das indústrias e organizá-las. Para sanar o problema, o IAP aguarda a implantação de um sistema online, no começo de 2007, para que as indústrias façam a atualização do inventário.
''Recebemos as informações das empresas, mas não conseguimos repassar para o sistema. As informações estão pulverizadas em regionais do IAP ou presas a processos de licença ambiental que não temos acesso'', justifica Ana Cecília.
A engenheira informa que os números atualizados da gestão de resíduos industriais não serão muito diferentes daqueles apresentados nos inventários dos anos de 2002 e 2003, já que não houve crescimento significativo de empreendimentos no setor. Repassar as informações para o IAP é obrigatório e deve ser feito a cada dois anos, quando a licença ambiental for renovada, mas o que acontece, muitas vezes, é que o inventário não é cobrado ou a indústria declara não gerar resíduos - quando se sabe que todo processo de produção industrial gera resíduos -, segundo Nowacki.
Os dados apontam a produção anual de cerca de 15,8 milhões de toneladas de resíduos industriais, dos quais 5% são definidos como perigosos, que oferecem risco à saúde pública e ao meio ambiente. O maior deles é o óleo lubrificante, seguido do lodo gerado pelo curtimento de couro e borra de tinta. Nos relatórios participaram 720 empresas, das quais 683 correspondem as de grande porte e maiores geradoras de resíduos. A estimativa é que existam 10 mil indústrias no Paraná.
''Não temos o controle da realidade da gestão dos resíduos industriais no Estado, porque as informações repassadas são imparciais, não se refere ao todo. Está ocorrendo a ocultação dessas informações'', rebate o procurador de Justiça Saint-Clair Honorato Santos, coordenador do Centro. ''Se as indústrias estão se preocupando em gerenciar corretamente seus resíduos, deveriam informar os dados, que devem ser de conhecimento de todos. Precisa haver mais firmeza do órgão fiscalizador'', critica o procurador.

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