Nova York, 11 (AE-DOW JONES) - A economia dos Estados Unidos ainda dá sinais de forte crescimento econômico e a falta de mão-de-obra foi verificada em quase todas as regiões do país, principalmente no setor de construção.
Mas não há, ainda, sinais claros de pressões inflacionárias no setor de serviços e de manufaturas. Essa conjunção de fatores estimulou nesta quarta-feira (11) os mercados de ações e de juros, invertendo uma tendência negativa que se havia iniciado há uma semana.
De acordo com especialistas do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, encarregados da preparação do relatório periódico denominado Livro Bege, relativo às atividades realizadas entre meados de junho e início de agosto, não há sinais claros de pressões sobre os preços, embora a economia continue aquecida. O informe servirá de base para a decisão, no dia 24, sobre comportamento futuro dos juros nos Estados Unidos.
O documento, divulgado hoje, teve efeito positivo no mercado de ações e no de bônus do Tesouro dos EUA, e reverteu a tendência de queda do Índice Dow Jones, que começou o dia estável, mas terminou com alta de 1,25%.
Os mercados europeu e asiático, porém, fecharam antes da divulgação do Livro Bege e, por isso, não puderam beneficiar-se da perspectiva mais otimista.
O Índice Financial Times da Bolsa de Londres conseguiu manter-se acima da barreira psicológica de 6 mil pontos, mas registrou alta de apenas 0,6%. Em Frankfurt o DAX também avançou 0,38% e nem a notícia da megafusão entre Alcan, Pechiney e Alusuisse foi capaz de fazer com que o Índice CAC da Bolsa de Paris subisse mais de 0,56%.
As turbulências políticas entre a China e Taiwan e a perspectiva de desvalorização do yuan provocaram nova queda na Bolsa de Hong Kong, que perdeu 1,26%. Mas na Bolsa de Tóquio o Índice Nikkei ficou praticamente estável, com alta de 0,05%.
A avaliação dos economistas do Fed contribuiu para inverter a curva de alta na remuneração dos títulos de 30 anos do Tesouro, que hoje recuou 4 pontos-base, para 6,21%.
Os juros no mercado secundário dos Estados Unidos, porém, também foram afetados pela venda, bem-sucedida, de novos papéis do Tesouro com prazo de dez anos. Os US$ 12 bilhões em novas notas do Tesouro foram oferecidos com remuneração de 6,085%, porcentual considerado atrativo, já que foi o maior rendimento para esse tipo de papel desde agosto de 1997. Assim, a remuneração das notas de mesmo prazo que já circulavam no mercado secundário caiu 6 pontos base, para 6,10%.
O Livro Bege, que compila os dados fornecidos pelos 12 escritórios regionais do Fed, encontrou apenas alguns sinais esparsos de pressões para aumentos salariais e praticamente nenhuma evidência de alta de preços, exceto na construção civil. O relatório, porém, sugere que a evolução das pressões salariais pode eventualmente criar inflação.
O informe revela ainda que as vendas no varejo, que estavam fortes no segundo trimestre, apresentaram alguma desaceleração em julho, na maioria dos casos em decorrência da liquidação de estoques. O setor de manufaturas, porém, continua se expandindo, embora em ritmo um pouco menor. Em síntese, o Fed prevê que a economia dos EUA deve crescer entre 3,5% e 3,75% em termos reais
descontada a inflação, em 1999, ante os 4,3% verificados no primeiro trimestre em índices anualizados.

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