Dados do BC revelam que pessoa física empresta mais
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Vânia Cristino e Soraya de Alencar 
Brasília, 17 (AE) - O sistema financeiro vem destinando mais crédito às pessoas físicas este ano. Segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central, o empréstimo dos bancos para as pessoas físicas cresceu 4,8% no mês de fevereiro, alcançando, no primeiro bimestre do ano, um crescimento de 7,7% com relação ao mesmo período de 1999. Segundo o chefe do departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, o direcionamento de uma parcela maior de recursos dos bancos para empréstimos à pessoa física já vinha sendo detectado pelo governo desde o segundo semestre do ano passado.
De acordo com Lopes a participação do crédito destinado a pessoas físicas passou de 11,1% do crédito total disponibilizado pelos bancos para os diversos segmentos em fevereiro de 1999 para 14,2% em fevereiro de 2000. Em valores absolutos, do saldo das operações de crédito de R$ 262,3 bilhões em fevereiro último, R$ 37,4 bilhões estavam nas mãos de pessoas físicas, basicamente em crédito pessoal e de financiamento para aquisição de bens.
Como o crescimento do crédito a pessoas físicas não foi acompanhado do crescimento do crédito total, isso significa que outros segmentos, como por exemplo a indústria e o comércio, sofreram redução do financiamento que dispunham. No caso da indústria, os dados do BC apontaram uma queda de 1,2% em fevereiro e de 1,8% no bimestre. No comércio a queda foi de 1,9% em fevereiro com relação a janeiro e de 4,8% no primeiro bimestre do ano com relação a igual período do ano anterior.
O empréstimo para o setor rural também cresceu mas, neste caso, de acordo com Lopes, o crescimento pode ser em grande parte atribuído a aplicação obrigatória, ou seja, o direcionamento para o setor que todos os bancos devem dar sobre a captação de recursos à vista. O crescimento dos empréstimos para o setor rural foi de 2,5% no mês de fevereiro. Já com relação ao nível de inadimplência, ele vem se mantendo estável, em torno de 8,5% em fevereiro, o mesmo índice desde novembro do ano passado. Como sempre, a inadimplência é mais elevada nos bancos públicos (12%) e mais baixa nos bancos privados (4,3%). IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1


