Rio de Janeiro - Uma escultura do músico Alfredo da Rocha Vianna Jr. (1897-1973), o Pixinguinha, dada como perdida há oito anos, será instalada hoje no Teatro Clara Nunes, na Gávea, zona sul do Rio, na abertura dos shows de lançamento das partituras da coleção Princípios do Choro. São duas estátuas do compositor de ''Carinhoso'' na cidade. Esta, proveniente de São Paulo, o traz sentado numa meia lua, em tamanho menor do que o natural, num trabalho de Elifas Andreatto. Durante os recitais de choro ficará no palco, depois estará no saguão do teatro.
A estátua, em fibra de vidro, foi criada para o bar Vou Vivendo, reduto da música popular brasileira em São Paulo nos anos 80 e 90. O poeta e produtor cultural Hermínio Belo de Carvalho conta como ela chegou ao Rio. ''Quando o bar fechou saímos bêbados, em procissão, carregando a estátua, que teve um fim desconhecido'', lembra ele. ''Até ser descoberta por uma ex-menina de rua, Esmeralda, num lixão, e virar o ''preto velho'' dela, sem que identificassem sua origem. Quem a descobriu foi a jornalista Carol Costa e nós a trouxemos ao Rio, para restaurá-la.''
As duas estátuas dão visões diferentes do compositor, considerado o pai da música brasileira. A que está no centro, em frente ao bar que frequentou até morrer, há 30 anos, tem dois metros de altura e retrata Pixinguinha tocando seu saxofone. O trabalho é do escultor Otto Damovitch, por encomenda da Associação de Amigos da Travessa do Ouvidor. Na de Andreatto, ele segura o saxofone, num momento de descontração.
Para Hermínio, é necessário homenagear Pixinguinha: ''Como definiu o pesquisador Ary Vasconcellos, seu nome seria suficiente para resumir tudo o que aconteceu nos quase 120 anos da história do choro.'' Hermínio foi amigo de Pixinguinha, dividiu muitas noites e algumas músicas com ele.

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