A Diretoria de Avaliação, Controle e Auditoria (Daca), órgão da Secreatria de Saúde de Londrina, autorizou o Hospital Universitário (HU) a colocar um cardiodesfibrilador implantável em Irdaci Bebeossan, 50 anos, portadora de arritmia crônica. O procedimento não havia sido autorizado porque, segundo a diretora da Daca, Vânia Brum, o município ''não tem recursos para pagar o implante''.

De acordo com Vânia, o órgão permitiu a realização do procedimento mesmo sem saber como será efetuado o pagamento. A filha de Irdaci, Neide Bebeossan Lucas informou, contudo, que não havia recebido a notícia até o início da noite de ontem. O HU possui um déficit de mais de R$10 milhões referentes a dívidas antigas e falta de repasse dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) dos meses de novembro e dezembro.

A assessoria de imprensa do HU confirmou a autorização da cirurgia, porém a data ainda não foi definida. O promotor de Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, chegou a encaminhar ontem a tarde um ofício à diretoria clínica do HU solicitando caráter de urgência na execução do procedimento.

Segundo o Ministério Público de Maringá, a paciente deveria ter recebido a prótese há mais de 15 dias, porém, desde então, só tem passado por exames. Irdaci foi transferida do Hospital Santa Rita, em Maringá, para o HU, em Londrina, considerado de referência, no dia oito de fevereiro via Central de Leitos do Estado.
De acordo com a direção da Daca, a Secretaria Estadual de Saúde chegou a ser consultada para pagar o procedimento e a orientação foi a transferência da paciente para o Hospital Angelina Caron, em Curitiba, devido a facilidade jurídica e agilidade para liberar recursos para um hospital contratado pelo Estado. ''Se fôssemos para lá seria como recomeçar. Não tínhamos qualquer garantia de que o implante seria realizado. Minha mãe voltou a passar mal por conta deste 'jogo de empurra', desabafou Neide.

Londrina recebe uma verba de R$ 9 milhões e 700 mil para pagar procedimentos de alta complexidade; valor insuficiente para honrar todos os pagamentos. ''Estamos negociando com o Ministério da Sa© úde um aporte de R$4,4 milhões para conseguirmos pagar a totalidade dos procedimentos'', afirmou Vânia.

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