Por Gustavo Paul
Brasília, 29 (AE) - O Departamento de Aviação Civil (DAC), ligado ao Ministério da Defesa, suspendeu os vôos de 325 pequenas companhias de aviação e de outras 53 empresas de manutenção e reparo de aeronaves em todo o País por não terem informado no prazo se estão preparadas para enfrentar o bug do ano 2000. Estas empresas estão proibidas de funcionar a partir da publicação de seus nomes no Diário Oficial, prevista para ocorrer amanhã (30), e só voltarão a operar depois de uma nova ordem do Ministério.
"São empresas de pequeno porte, que não irão trazer problemas para a maioria dos usuários", explicou o representante do Comando da Aeronáutica no Centro de Coordenação Geral (CCG), montado no Ministério da Defesa, em Brasília, brigadeiro Adenir Siqueira Viana. Todas as empresas vão responder a um processo administrativo. Elas podem ser punidas com multas e até a cassação da autorização para operar. Foram suspensas 205 empresas de serviços aéreos especializados, como pulverização agrícola, propaganda aérea e aerofotogrametria.
A relação também inclui 118 empresas de Taxi Aéreo de vários Estados e duas companhias de transporte aéreo regular: a Transportes Aéreos da Bacia Amazônica (Taba) e Transportes Aéreos Belém Amazônia S.A.. Foram suspensas ainda 53 empresas de manutenção e reparo de aeronaves, como os aeroclubes de São Paulo, Sorocaba e Marília, e a Helicópteros do Brasil S.A (Helibrás).
O brigadeiro Viana explicou também que a partir das 18 horas do dia 31 de dezembro todo o espaço aéreo brasileiro estará operando em regime de segurança máxima, com um esquema especial de controle de tráfego, que prevê menos aviões no ar. "Estaremos funcionando como se todos os radares do País estivessem desligados", comparou o brigadeiro.
Isso significa que as rotas aéreas normalmente utilizadas pelas aeronaves serão alteradas e o espaçamento de segurança entre um avião e outro será aumentado, como no tempo em que o controle de vôo por radar ainda não era disseminado pelo País. "Mesmo com os radares em pleno funcionamento, o esquema de vôo será semelhante ao do início da década de 60 ", disse Viana.
Até agora, o DAC contabilizou a redução de 37% dos vôos previstos para ocorrer entre as 18 horas do dia 31 de dezembro e as 6 horas do dia 1º de janeiro. Estavam planejados a realização de 462 vôos sobre o País, dos quais 174 já foram cancelados. Este número poderá mudar até a virada do ano. "Esta redução tem ocorrido de forma natural", disse Viana, que descartou por enquanto a possibilidade de proibir a ocorrência de mais vôos. Várias empresas cancelaram viagens por falta de passageiros.
"A aviação civil está preparada para a virada do ano 2000"
garantiu Viana. Ele insistiu na recomendação já feita pelo DAC para que as empresas aéreas evitem decolagens entre as 23h30 da sexta-feira e a primeira meia hora do sábado. "Quanto menor o tráfego aéreo, mas fácil será gerenciar emergências", explicou o brigadeiro. "Mas isto não quer dizer que os aviões estão proibidos de voar naquele horário."
O Comando da Aeronáutica garantiu ainda que está pronto todo o esquema militar de suporte para operações durante a virada do ano.
"Nossos aviões Mirage e F5 estão sob alerta e uma das suas missões será prestar socorro a aeronaves que tenham algum tipo de problema", disse o brigadeiro. Em Recife funcionará um centro de coordenação nacional do tráfego aéreo, que será também responsável pelos vôos em todo a América do Sul, ao lado de um centro semelhante localizado em Lima, no Peru.

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