DAC quer coibir roubo de carga aérea
DAC quer coibir roubo de carga aérea
Quadrilhas estão atuando principalmente no Norte do País, de olho mais em encomendas valiosas do que nas aeronaves
Gustavo Alves
Agência Estado
Arquivo FolhaÀ disposiçãoFalta de estrutura de segurança nos aeroportos facilita a vida dos bandidos, que atuam com planejamento e rapidez O Departamento de Aviação Civil (DAC) discute na terça-feira, com o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA), a implementação de medidas de segurança urgentes para tentar evitar o roubo de cargas valiosas transportadas por aviões - um crime que se tornou comum na Região Norte do País. Há uma facilidade, admite o delegado da Polícia Federal (PF) de Marabá (PA), Adolfo Machado. Aqui, é só sumir com o avião para a Amazônia Legal, que nem se dá mais notícia, diz desanimado o delegado.
Os assaltos às cargas valiosas superaram os roubos dos próprios aviões por traficantes de drogas, segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Luiz Fernando Collares. Ele explicou que o primeiro tipo de crime diminuiu por causa de precauções tomadas pelas próprias empresas. Mas o assalto às cargas continua um crime atrativo, pela falta de estrutura de segurança dos aeroportos na região. No Norte, os aeroportos, a não ser os grandes, não têm detectores de metais, citou como exemplo.
De acordo com o presidente do sindicato, somente nos últimos seis meses, três assaltos foram registrados na divisa entre o Pará e o Maranhão. Em dois deles, em Redenção e Conceição do Araguaia, no Pará, houve troca de tiros da polícia com os bandidos. No último, em 25 de maio, um avião da empresa aérea Penta decolou de Imperatriz (MA), com destino a Marabá, mas foi forçado a desviar-se da rota e pousou em Rondon do Pará - de onde a quadrilha saiu do aparelho com três malotes do Banco do Brasil (BB) que continham R$ 2.250 milhões.
PrisãoFoi um crime bem planejado, contou o delegado Cláudio Coelho Lima, que prendeu parte da quadrilha responsável pelo último roubo. O avião foi tomado por quatro ladrões que entraram como passageiros. Um deles encostou uma arma no comandante, e o restante dominou os outros seis passageiros. Quando pousou em Rondon do Pará, mais seis integrantes esperavam os comparsas em uma pick-up - alguns vestindo jalecos da Polícia Civil. Eles já sabiam que o avião carregava os malotes, contou. A operação levou menos de meia hora.
A prisão de cinco acusados pelo crime explica o planejamento detalhado e o uso de jalecos de policiais por alguns dos bandidos. Entre os presos, estavam o vigilante Antônio Cotrim, da empresa Norsegeo, que fazia a segurança do carregamento, e o policial civil maranhense José Roberto Vieira Mende. Chefe de Cotrim na Norsegeo, e também acusado de envolvimento, José Reinaldo suicidou-se antes de ser preso.
Outros dois suspeitos tiveram a prisão decretada pela Justiça - um homem de quem o delegado lembra apenas o primeiro nome, Domingos, e Francisco de Assis, o Chacal, que teria ameaçado o piloto do avião a pousar em Rondon do Pará. Cotrim, ao ser preso, confessou que havia participado de outros roubos.
Coelho calculou que a quadrilha teria de 12 a 13 integrantes. E não é a única a atuar. A gente não tem dúvida de que existe crime organizado no Maranhão, contou o delegado. Ele admitiu que o trabalho das quadrilhas se estende pelo Pará e Tocantins, e lamentou que não haja uma investigação única da PF nos três estados para coibir o crime. Só se consegue combater o crime organizado se houver um trabalho continuado, afirmou.





