Da cola de sapateiro ao crack
Prestes a completar a maioridade, o jovem Paulo (nome fictício), que há cinco meses está em tratamento contra as drogas, lamenta o fato de um dia ter cheirado cola de sapateiro quando criança. ''Tinha apenas 8 anos quando um amigo me ofereceu. Ele disse que se eu não experimentasse, me chamaria de mulherzinha. Cedi e cheirei'', resume.
Atrás da mesma sensação, repetia a experiência dia após dia. ''Matava aula para ficar cheirando. Quando não era cola, era gasolina que roubava do carro do meu pai.'' Pouco tempo depois, aos 11 anos, a maconha surgiria em sua vida. ''Fumava, mas não era todo dia. Sentia falta quando não usava.''
E para sustentar o vício - o pai nessa época não lhe dava mais dinheiro - passou a vender a droga. ''Só fumava maconha até então. Mas como via todo mundo cheirando ao meu redor para ficar acordado de madrugada para traficar, comecei a cheirar também'', recorda. E para usar o crack não demorou. Fumava, inclusive, a parte destinada à venda, o que lhe rendeu uma surra que quase o matou.
Mesmo se arriscando diariamente, a sensação de prazer de todas essas drogas o fazia esquecer de qualquer sinal de sofrimento. ''Já fui parar cinco vezes no hospital quase morrendo, com o coração disparado e convulsões.''
Nesta época, o rapaz já estava na criminalidade. ''Roubava e traficava. Fui preso e a medida judicial foi a internação. Hoje considero a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Se não fosse isso, acabaria assassinado como meu irmão'', revela ele, sobre o parente que também era usuário.(M.T.)





