Da agronomia para a arte circense
Londrina - O artista Miguel Correia, 27 anos, é um representante dos milhares de jovens que já desistiram de um curso superior. Ele acredita que a principal causa do abandono é a imaturidade. ''Com 18 anos é muito difícil decidir o que você quer ser na vida. Existe toda uma pressão da sociedade e também da família para que você decida o curso que quer fazer. Tem algumas pessoas que já sabem e se encontram na faculdade, mas muitos não são assim'', avalia.
O ex-universitário lembra que Ciências Sociais seria sua primeira opção no vestibular. ''Mas minha mãe me convenceu a não fazer. Ela disse que professor não tem futuro. E é verdade. Já vi amigos que fizeram o curso e hoje entregam papel na rua. Imagina, estudar quatro anos para não ter condição de se sustentar?'', indigna-se.
Em 2003, aos 21 anos, foi aprovado em Agronomia na Universidade Estadual de Londrina (UEL). A escolha, no entanto, não se mostrou acertada. ''Gosto muito de plantas e acabei escolhendo agronomia. Mas o curso era voltado demais para o agronegócio. Não me identifiquei. O curso era integral. Larguei depois de um ano e meio.''
Depois que um colega de faculdade o apresentou a um grupo de artistas argentinos, Correia descobriu sua vocação. ''Eles estavam de passagem por Londrina. Viajavam fazendo apresentações de teatro e circenses. Aprendi muito com eles'', conta o jovem, que depois abandonou a faculdade para viver da arte.
Hoje, atua em peças de teatro, faz performances circenses e toca percussão em grupos musicais. ''Gosto do trabalho, dos aplausos e, principalmente, das crianças'', diz.
Neste ano, Correia deve retomar os estudos. Vai ingressar no curso técnico de Massoterapia no Instituto Federal do Paraná (ITFPR). Em relação ao ensino superior, não tem planos para uma nova investida. ''O que vejo hoje é muita gente fazendo um curso qualquer só para fazer concurso público. Eu conheço pessoas também formadas em artes cênicas que trabalham menos que eu'', conclui.(D.B.)





