RIO - O cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, afirmou ontem que a reeleição não é o problema número um do Brasil. ‘‘O nosso maior problema é o desemprego’’, comentou. Dom Paulo recebeu ontem à tarde, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio, o título de sócio benemérito da entidade. Embora tenha afirmado em um discurso emocionado que ‘‘vale a pena ser jornalista’’, o cardeal arcebispo não poupou críticas aos jornais. ‘‘A imprensa poderia ser mais crítica em relação às medidas que se tomam contra os pobres e os analfabetos’’, acusou.
Na cerimônia, que contou com cerca de 80 convidados, dom Paulo foi saudado pelo presidente da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, como um homem que tem idéias em defesa do Brasil e que demonstra amor à independência do País. Dom Paulo, por sua vez, disse que havia pedido um ‘‘encontro familiar e íntimo’’ e ficou surpreso com o número de pessoas presentes à cerimônia. O cardeal fez um discurso entusiasmado. Declarou o seu orgulho de ser jornalista e ressaltou a importância da atuação da imprensa na vida política dos países. ‘‘Vale a pena ser jornalista e é importante dizer para a geração que chega que há assuntos importantes que o jornalismo tem que tratar no futuro’’.
Dom Paulo demonstrou indignação com a divulgação de um relatório da Organização Internacional do Trabalho de que o número de pessoas desempregadas no mundo atinge 1 bilhão. ‘‘A notícia fere toda a humanidade em sua convivência’’. O cardeal arcebispo observou que, diante desse quadro, a imprensa tem um papel fundamental. ‘‘Essa situação de desemprego não pode continuar e a imprensa pode ajudar a abrir caminhos’’, pensa. Ele apontou o neoliberalismo como um dos principais problemas do mundo moderno. ‘‘Nunca houve tanto egoísmo como agora, com o neoliberalismo, principalmente, dos países ricos’’, analisou.
Na opinião do cardeal, de 1966 para cá a influência da mídia sobre a população aumentou muito. Apesar de reconhecer um desenvolvimento na área de comunicação, ele fez questão de ressaltar que ainda há erros graves. ‘‘A imprensa não deve tomar como assunto aquilo que lhe é ditado pelas autoridades e sim mostrar o que ela descobre como verdade’’.

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