D. Paulo recebe título da ABI e critica jornais
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quarta-feira, 27 de novembro de 1996
Agência Estado 
RIO - O cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, afirmou ontem que a reeleição não é o problema número um do Brasil. O nosso maior problema é o desemprego, comentou. Dom Paulo recebeu ontem à tarde, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio, o título de sócio benemérito da entidade. Embora tenha afirmado em um discurso emocionado que vale a pena ser jornalista, o cardeal arcebispo não poupou críticas aos jornais. A imprensa poderia ser mais crítica em relação às medidas que se tomam contra os pobres e os analfabetos, acusou.
Na cerimônia, que contou com cerca de 80 convidados, dom Paulo foi saudado pelo presidente da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, como um homem que tem idéias em defesa do Brasil e que demonstra amor à independência do País. Dom Paulo, por sua vez, disse que havia pedido um encontro familiar e íntimo e ficou surpreso com o número de pessoas presentes à cerimônia. O cardeal fez um discurso entusiasmado. Declarou o seu orgulho de ser jornalista e ressaltou a importância da atuação da imprensa na vida política dos países. Vale a pena ser jornalista e é importante dizer para a geração que chega que há assuntos importantes que o jornalismo tem que tratar no futuro.
Dom Paulo demonstrou indignação com a divulgação de um relatório da Organização Internacional do Trabalho de que o número de pessoas desempregadas no mundo atinge 1 bilhão. A notícia fere toda a humanidade em sua convivência. O cardeal arcebispo observou que, diante desse quadro, a imprensa tem um papel fundamental. Essa situação de desemprego não pode continuar e a imprensa pode ajudar a abrir caminhos, pensa. Ele apontou o neoliberalismo como um dos principais problemas do mundo moderno. Nunca houve tanto egoísmo como agora, com o neoliberalismo, principalmente, dos países ricos, analisou.
Na opinião do cardeal, de 1966 para cá a influência da mídia sobre a população aumentou muito. Apesar de reconhecer um desenvolvimento na área de comunicação, ele fez questão de ressaltar que ainda há erros graves. A imprensa não deve tomar como assunto aquilo que lhe é ditado pelas autoridades e sim mostrar o que ela descobre como verdade.


