D. Lucas pede firmeza no projeto de assentamentos
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sexta-feira, 18 de abril de 1997
Agência Estado 
INDAIATUBA - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Lucas Moreira Neves, dizia ontem ter esperanças de que o encontro entre o presidente Fernando Henrique Cardoso com lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em Brasília, desse inicio a uma nova fase no processo de assentamento de famílias no projeto de reforma agrária.
Reconhecemos que nenhum outro governo tomou tantas providências para a reforma agrária, mas trata-se de um processo que não deve esmorecer, disse dom Lucas no encerramento da 35ª assembléia geral da CNBB, que reuniu 290 bispos no mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, interior de São Paulo. A reforma agrária deve ser levada com muita garra, mas também de modo inteligente, afirmou.
Esperamos que a conversa entre o presidente e os sem-terra possa dar início a uma nova etapa no diálogo sobre uma realidade que não pode ser negada, comentou. A CNBB enviou dois bispos, dom Demétrio Valentini, de Jales (SP), e dom Jesus Rocha, de Brasília, para receber a marcha dos sem-terra na capital federal.
O presidente da CNBB ressaltou, porém, que o fato de a entidade ter enviado representantes para receber a marcha anteontem, durante a manifestação dos trabalhadores rurais, não significa que a entidade apoie as invasões de terra. Do ponto de vista da moral cristã, não é defensável nenhuma forma de invasão, disse.
Durante o encontro dos bispos em Itaici, a CNBB divulgou um estudo sobre a extensão de suas terras do País. Dos 236 mil hectares que a Igreja detêm no Brasil, 76 mil hectares são passíveis de desapropriação para fins de reforma agrária. Desse total, 38 mil, em diversos estados, estão ociosos.
A decisão de destinar terras para a reforma agrária caberá aos bispos das dioceses onde os imóveis estão localizados. A orientação é para que as terras tenham uma destinação social, diz dom Demétrio Valentini, presidente da Comissão Pastoral da Terra.


