INDAIATUBA - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Lucas Moreira Neves, dizia ontem ter esperanças de que o encontro entre o presidente Fernando Henrique Cardoso com lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em Brasília, desse inicio a uma nova fase no processo de assentamento de famílias no projeto de reforma agrária.
‘‘Reconhecemos que nenhum outro governo tomou tantas providências para a reforma agrária, mas trata-se de um processo que não deve esmorecer’’, disse dom Lucas no encerramento da 35ª assembléia geral da CNBB, que reuniu 290 bispos no mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, interior de São Paulo. ‘‘A reforma agrária deve ser levada com muita garra, mas também de modo inteligente’’, afirmou.
‘‘Esperamos que a conversa entre o presidente e os sem-terra possa dar início a uma nova etapa no diálogo sobre uma realidade que não pode ser negada’’, comentou. A CNBB enviou dois bispos, dom Demétrio Valentini, de Jales (SP), e dom Jesus Rocha, de Brasília, para receber a marcha dos sem-terra na capital federal.
O presidente da CNBB ressaltou, porém, que o fato de a entidade ter enviado representantes para receber a marcha anteontem, durante a manifestação dos trabalhadores rurais, não significa que a entidade apoie as invasões de terra. ‘‘Do ponto de vista da moral cristã, não é defensável nenhuma forma de invasão’’, disse.
Durante o encontro dos bispos em Itaici, a CNBB divulgou um estudo sobre a extensão de suas terras do País. Dos 236 mil hectares que a Igreja detêm no Brasil, 76 mil hectares são passíveis de desapropriação para fins de reforma agrária. Desse total, 38 mil, em diversos estados, estão ociosos.
A decisão de destinar terras para a reforma agrária caberá aos bispos das dioceses onde os imóveis estão localizados. ‘‘A orientação é para que as terras tenham uma destinação social’’, diz dom Demétrio Valentini, presidente da Comissão Pastoral da Terra.

mockup