D. Lucas diz que lei de doação de órgãos é positiva
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sábado, 18 de janeiro de 1997
Biaggio Talento 
Agência Estado
SALVADOR - O presidente da CNBB, cardeal-arcebispo d. Lucas Moreira Neves disse ontem ser positiva, no geral, a nova lei brasileira de doações de órgãos, segundo a qual todas as pessoas são doadoras presumíveis. Mas ele chamou atenção para o perigo de se evitar e coibir o mercantilismo e a precipitação que podem ferir os interesses da ética, do doador e de sua família. As autoridades e a Igreja precisam ficar atentas a esse aspecto, disse.
O cardeal destacou como pontos favoráveis, a idéia do dom, a generosidade expressa na doação de um órgão e o alcance da nova legislação.
A lei vem de um projeto do senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) e foi aprovada quinta-feira pelo Congresso, por 43 votos a 21, e torna todos os brasileiros automaticamente doadores de órgãos, a menos que se manifestem oficialmente em contrário. O projeto só depende de sanção do presidente Fernando Henrique.
Pela lei, doravante quem não quiser doar seus órgãos deve procurar departamentos de identificação civil ou de trânsito para que seja gravada a expressão não-doador na carteira de identidade ou na de motorista.
O Brasil absorverá tecnologia da Espanha para instalação de um sistema nacional de transplantes. Um projeto prevê a vinda de uma missão espanhola em fevereiro e o treinamento de profissionais brasileiros naquele País. O Ministério da Saúde destinará R$ 270 mil do orçamento deste ano ao projeto, a ser implantado em dois anos.


