Brasília, 24 (AE) - Mesmo reconhecendo que o salário mínimo no Brasil é "muito baixo", o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Jayme Chemello, recomendou hoje cautela aos políticos que definirão o novo valor para evitar o desemprego. "Qual a família que poderia pagar, por exemplo, 180 reais para a empregada doméstica?", indagou, advertindo que, dependendo do novo mínimo, pode "sobrar muita doméstica na rua". O presidente da CNBB alertou ainda que, na discussão sobre o reajuste, se deve pensar no impacto do novo mínimo para as contas "da Previdência, do governo, das empresas privadas e assim por diante". Ao mesmo tempo em que lança a preocupação com o desemprego, d. Jayme também se apresenta como partidário da tese do quanto maior o reajuste, melhor porque o "salário do povo brasileiro é muito baixo". Na opinião de d. Jayme, até um salário equivalente a US$ 100 (180 reais), como o PFL deseja, e superior à proposta do governo federal de elevar o mínimo a 150 reais, seria insuficiente para o brasileiro viver com dignidade. "É evidente que, para o povo, é muito pouco." O presidente da CNBB também disse não ter tido tempo para analisar em profundidade as propostas dos políticos, mas tinha conhecimento da existência de duas linhas em discussão: a que comparava o mínimo com o dólar e a que usava a cesta básica como base para o reajuste. "Quem deseja a cesta básica crê que a inflação foi menor do que o crescimento da moeda americana", comentou.

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