D. Geraldo é eleito presidente da CNBB
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segunda-feira, 05 de maio de 2003
Agência Estado 
Indaiatuba, SP - O cardeal d. Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, é o novo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ele foi eleito ontem, na 41 Assembléia Geral de Itaici, em Indaiatuba, para substituir d. Jayme Henrique Chemello, bispo de Pelotas, que dirigiu a entidade nos últimos cinco anos.
D. Geraldo venceu a eleição, em terceiro escrutínio, por 207 votos contra 64 dados ao cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Cláudio Hummes e 7 dados a outros candidatos, além de 1 voto nulo. D. Geraldo e d. Cláudio tiveram, respectivamente, 150 e 102 votos no primeiro escrutínio e 167 e 93 votos no segundo. A votação tomou toda a manhã e os resultados finais só foram divulgados às 14h30, no início da sessão da tarde da assembléia. No fim da tarde, d. Antônio Celso de Queiroz, bispo de Catanduva, foi eleito vice-presidente.
A expressiva votação obtida por d. Cláudio surpreendeu, porque ele havia anunciado que não seria candidato. Mas, ao desautorizar o lançamento de seu nome o que levou à apresentação de d. Geraldo como candidato de consenso em duas chapas , o cardeal de São Paulo fez um discurso no qual pregava a necessidade de uma renovação da CNBB. Com isso, os bispos entenderam que, se fosse eleito, ele estaria disposto a assumir a presidência. ''Acharam que ele aceitaria, se insistissem no nome dele'', observou d. Zeno Hastenteufel, de Frederico Westphalen (RS), ao analisar a reação do eleitorado.
''Votei duas vezes em d. Cláudio, um homem extraordinário, e só mudei o voto no terceiro escrutínio, quando a tendência da assembléia era escolher d. Geraldo'', revelou d. Francisco Barroso Filho, bispo de Oliveira. Para ele, como também para outros eleitores de d. Cláudio, o surgimento de outros nomes como opção para o candidato único das duas chapas iniciais não significou repúdio a d. Geraldo.
O arcebispo de Porto Alegre, d. Dadeus Grings, que falou ontem à imprensa em nome da assembléia, acha que a amizade de d. Cláudio com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter influenciado o eleitorado. Ao visitar Itaici, na noite de quinta-feira, Lula fez uma brincadeira que salientou essa amizade.
Ao apresentar d. Geraldo aos jornalistas, logo após a confirmação de sua vitória, d. Jayme Chemello elogiou a escolha. ''D. Geraldo é a pessoa adequada para a conferência nesta hora'', disse o atual presidente, lembrando o apoio que o episcopado recebeu do cardeal de Salvador enquanto ele foi secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, em Roma.
D. Geraldo, que só falará à imprensa após tomar posse, na sexta-feira, retribuiu os elogios e prometeu dar continuidade à ação evangelizadora da CNBB. ''Peço a Deus que me dê sabedoria e amor a Jesus Cristo para trabalhar pela paz e pela solidariedade neste mundo de tantos desencontros, ódio e violência'', disse d. Geraldo.
As eleições prosseguem hoje com a escolha do secretário-geral e dos presidentes das dez comissões episcopais de pastoral. Vários nomes foram acrescentados aos que, pelas duas chapas, deveriam disputar esses cargos.
Mineiro de Juiz de Fora, 69 anos, d. Geraldo assumiu a arquidiocese de Salvador em 1999, em substituição a d. Lucas Moreira Neves. Em 2001, foi elevado a cardeal.
Especialista em liturgia, havia trabalhado sete anos e meio no Vaticano, como secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, cargo que lhe garante bom trânsito na Cúria Romana. Antes disso, foi bispo de Toledo e arcebispo de Londrina.


