Salvador - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e cardeal-arcebispo de Salvador, d. Geraldo Majella Agnelo, afirmou achar que 2004 foi um ano perdido na ação social do governo e da sociedade. Ele também não observou ''avanços'' no combate à corrupção. ''Estou muito inclinado a ver que ainda é um ano perdido, contudo não quero culpar unicamente o governo, mas também os setores que procuram influenciar o governo a não fazer, a não se preocupar (com a área social)'', disse, ontem, na capital baiana, ao fazer um balanço do ano.
Para o cardeal esses ''setores'' não querem o crescimento e o desenvolvimento do Brasil, o que se daria ''com uma boa educação e trabalho para todos e não com esmola'', numa crítica velada ao programa Fome Zero. ''Não vou dizer que é um paliativo, mas tenho medo que as pessoas acham que se resolva o problema dando esmola desse jeito.''
Perguntado que nota daria ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, d. Geraldo preferiu ser cauteloso. ''Eu diria que nas intenções, se é que se pode julgá-las, daria uma nota bem alta já que ele não pode deixar de desejar o melhor para o País'', disse.
Ele respondeu com um firme ''ainda não'' ao ser indagado a respeito da queda dos níveis de corrupção no Brasil este ano. ''Estamos preocupados com isso há muitos anos e surgiu até a lei de combate à corrupção eleitoral'', citou, informando que ao invés de se criarem outros mecanismos nesse campo para coibir o roubo, observou-se uma tentativa de mudar a lei anticorrupção.

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