D. Aloísio Lorscheider faz sermão contra neoliberalismo
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segunda-feira, 06 de setembro de 1999
Por Ricardo Osman 
Aparecida,SP, 07 (AE) -De todos os eventos hoje na Basílica de Nossa Senhora de Aparecida, entre eles os atos do 5.º Grito dos Excluídos, o mais disputado foi a missa celebrada por d. Aloísio Lorscheider, arcebispo da cidade, para a 12.º Romaria dos Trabalhadores. Às 10 horas, acompanhado por 13 bispos e dezenas de padres, ligados aos trabalhos pastorais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele entrou na Basílica, lotada por fiéis e manifestantes, para dar um recado, duro, contra o modelo econômico neoliberal.
"Vivemos num mundo em situação calamitosa, com uma economia mundial que devora a si mesmo e, pior ainda, devora as pessoas", denunciou, ao abrir o sermão. "Este sistema econômico mundial mata, mas a economia é para as pessoas e não as pessoas para a economia", observou. "Isso recebeu o nome de (economia) neoliberal, mas é liberal só na aparência". Aos fiéis, d. Aloísio Lorscheider disse: "Nós precisamos de um sistema de desenvolvimento com liberdade, mas não a liberdade do neoliberalismo", pois "tudo o que exclui a pessoa humana está errado".
A importância do 5.ºGrito dos Exclupidos foi destacada. "É um grito justo, um alerta, vocês estão dizendo: não dá mais para continuar assim!". O arcebispo fez uma comparação com passagem da Bíblia. "A fé, disse Jesus, move montanhas, aqui se trata de mover uma montanha terrível, a montanha do egoísmo, da concentração de bens nas mãos de poucos", afirmou. "É preciso conjugar economia com solidariedade."
Entres os fiéis, nos bancos de madeiras, uma faixa da Pastoral da Criança, de Cruzeiro (SP), saudava os "excluídos", e apenas uma bandeira do PSTU tremulava no santuário. Estavam na missa os caminhantes, alguns com os pés enfaixados, que saíram, há uma semana, da Vila Brasilândia, na capital, para Aparecida, pela Via Dutra. Vieram também romeiros do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.
Encerrada a missa, teve início, no pátio do estacionamento, o ato do Grito, mas apenas uma parte das pessoas que estavam dentro da Basílica seguiu para o protesto. O 5.º Grito, um protesto contra a atual política econômica, foi aberto com o Hino Nacional. O presidente da CUT, o Viecente Paulo da Silva, o Vicentinho, também compareceu. Ele comentou o slogan deste 5.º Grito "Brasil: um filho teu não foge à luta." "O povo brasileiro não sabe o poder que tem", disse Vicentinho.


