''O desabafo faz com que as pessoas tenham uma qualidade de vida melhor.'' A afirmação da coordenadora do Centro de Valorização da Vida (CVV) de Londrina, Rita Louvison, define o apoio emocional promovido pela entidade há 32 anos no município. Para celebrar o aniversário, comemorado este mês, e com o objetivo de divulgar a unidade, ontem, o CVV instalou uma barraca no Calçadão, onde ofereceu atendimento em uma cabine improvisada. A iniciativa se repete no dia 20, das 9 às 13 horas.
Esta foi a primeira vez que o atendimento aconteceu fora do posto. ''Queremos divulgar o trabalho pois tem muita gente que precisa conversar e desabafar mas não sabe que o CVV existe. Por outro lado, tem quem sabe mas não utiliza pois tem preconceito por achar que é só para quem está para cometer suicídio'', esclareceu Rita. O serviço gratuito é dirigido a pessoas de todas as idades, de forma sigilosa. Em média, são realizados de 800 a mil atendimentos por mês.
Lucilia de Freitas Pedroso, uma das fundadoras do CVV de Londrina, contou que a muitos procuram o serviço por solidão. ''Mesmo tendo família e sendo casadas, as pessoas se sentem sozinhas pois hoje em dia falta diálogo e há muita distância emocional nos relacionamentos.'' Segundo ela, 99% dos atendimentos são anônimos.
Entre as inúmeras histórias que acompanhou como voluntária, ela destaca um atendimento telefônico a um suicida que achava que a vida não fazia sentido. ''Depois de uma hora de conversa consegui baixar o nível emocional dele para que pensasse melhor no que estava querendo fazer e, mais calmo, desligou. Mais tarde, voltou a ligar na CVV para agradecer pelo apoio.''
Conforme Lucilia, hoje o posto conta com 27 voluntários, mas precisaria de ao menos 40. Antes de assumir um plantão, é necessário participar do Programa de Seleção de Voluntário, que consiste em quatro dias de aulas teóricas, cerca de duas semanas de estágio e plantão assistido por um voluntário experiente.
Ana Maria Rebelo, voluntária há 32 anos, completou que muitos se tornam voluntários após receber atendimento e encontrar o apoio que procuravam. Entre seus inúmeros relatos, se destaca a história de um ex-professor acamado que ligou por um longo período só para conversar. ''Quando ele faleceu, familiares agradeceram, dizendo que tivemos uma participação importante na vida dele.''
Serviço - O CVV oferece atendimento 24 horas, inclusive aos finais de semana e feriados, pelos telefones (43) 3356-4111 e 141 (Sercomtel); e pessoalmente à Rua Bahia, 23-A - Centro, das 8 às 18 horas. Mais informações no www.cvv.org.br.

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