CVM suspende leilão de compra de ações da Telebrasília e Telegoiás
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Carlos Franco 
São Paulo, 20 (AE) - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu hoje o leilão de compra de ações da Telebrasília e Telegoiás pelos controladores da Tele Centro Oeste, liderados pelo Grupo Splice, seguido do fechamento de capital dessas empresas.
O leilão estava previsto para o dia 26, mas os acionistas minoritários, que têm em seu poder cerca de 13% do capital total das duas companhias de telefonia celular, não concordaram com o preço proposto pelos controladores.
O preço fixado levou em conta o valor patrimonial das empresas em dezembro de 1999 com correção pela TR de janeiro até a data do leilão. Ou seja, R$ 35,18 por ação da Telegoiás e R$ 149,54 por lote de mil ações da Telebrasília, sem levar em conta a correção.
A CVM, entretanto, não deliberou sobre a intenção dos controladores da Tele Centro Oeste de também fechar o capital de outras controladas, como as empresas de telefonia celular da banda A dos Estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Isso porque foram os acionistas minoritários da Telebrasília e Telegoiás os que se mobilizaram para impedir o fechamento de capital das duas empresas sob a liderança do Banco Prósper e da corretora Stock.
Gustavo Alcântara, diretor do Banco Prósper, não revela o total de ações das duas empresas que o banco tem em carteira, mas diz que "o preço fixado pelos controladores foi considerado muito baixo". Segundo ele, "não se levou em conta as perspectivas de crescimento, nem o ágio pago pelo controle quando do leilão de privatização."
Os papéis das duas companhias são negociados no Soma, o mercado de balcão do pregão nacional. "O interesse dos minoritários é que os controladores estimulem mais as negociações dos papéis e não que os retirem do mercado", disse.
Pelas regras da CVM, a manifestação de 1/3 dos acionistas minoritários é suficiente para impedir que controladores, mesmo que possuam a maioria das ações, como é um caso, tomem decisão que possa ferir seus interesses. A Telegoiás tem 13% do capital nas mãos de cerca de 100 mil acionistas e a Telebrasília outros 13% em poder de 60 mil acionistas. É um 1/3 desse contigente o necessário para impedir o fechamento do capital.
"Os acionistas minoritários estão mais conscientes hoje do seu peso", garante Alcântara, que passou o dia de hoje informando investidores do Prósper sobre a decisão da CVM.


