São Paulo, 21 (AE) - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) , órgão regulador do mercado de capitais, estuda medidas para facilitar o lançamento de ações de empresas de Internet locais e estrangeiras no mercado brasileiro, disse seu presidente, José Luiz Osório. O objetivo é incentivar as empresas locais de Internet a lançar suas ações no País, evitando a fuga dessas companhias para a bolsa eletrônica norte-americana Nasdaq, especializada em papéis de tecnologia, e ao mesmo tempo atrair papéis de empresas estrangeiras que atuam no Brasil.
Entre as mudanças em estudo está possibilidade de reduzir o prazo de análise para registro de uma companhia aberta
disse Osório. A rapidez no processo seria um diferencial, uma vez que nos Estados Unidos a análise para o registro de uma companhia aberta é demorada.
Osório disse também que o colegiado da CVM deverá estar aprovando na próxima sexta-feira uma instrução que irá facilitar a emissão no Brasil de recibos de ações de empresas estrangeiras
os chamados Brazilian Depositary Receipts (BDRs) . Entre as regras atuais que dificultam esse procedimento está a limitação para que a empresa tenha, no mínimo, 3 anos de existência.
As regras atuais também exigem que a emissão das ações seja equivalente no máximo ao valor do patrimonio líquido da companhia e não permitem que companhias de investimento (Investiment Companies) lancem BDRs no País. Essas restrições dificultam o interesse das empresas da nova economia pelo Brasil
uma vez que, em sua maioria, possuem menos de 3 anos de existência e um valor baixo de patrimonio líquido.
O esforço da CVM vem em um momento em que diversas empresas brasileiras de Internet manifestam seu desejo de abrir seu capital e negociar ações em bolsa. Representantes das empresas Livraria Saraiva, Globex Ponto Frio e Pão de Açúcar disseram hoje, durante seminário promovido pela corretora BBA Icatu, que estudam a transformação de seus departamentos de Internet em empresas e a posterior abertura de seu capital, operações que poderiam ocorrer ainda este ano ou no mais tardar no início do próximo. Na segunda-feira, a Globo.com, portal das Organizações Globo, disse que negociava com três bancos o lançamento de ações no Brasil e no Exterior ainda em 2000.
O diretor-executivo da Globex, Eduardo Koehler afirmou que a empresa vai separar o negócio de Internet do restante da companhia até o primeiro trimestre do ano que vem, criando assim uma empresa independente que poderá ter seu capital aberto e ações na bolsa brasileira.
O Pão de Açúcar, que lança em abril seu site amélia.com.br, estará criando uma companhia independente no início de maio e estuda a abertura de capital, disse Ana Maria Diniz, vice-presidente do grupo.
O diretor superintendente da Saraiva, José Luis Próspero
afirmou que está analizando a criação de uma empresa independente para o negócio de Internet. "A abertura de capital seria um próximo passo", afirmou.

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