CVM investiga denúncia de minoritários contra a Bombril13/Mar, 18:15 Por Mônica Ciarelli Rio, 13 (AE) - O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), José Luiz Osório, revelou hoje que o órgão abriu inquérito contra a Bombril para investigar as denúncias, feitas por acionistas minoritários, de que o controlador da empresa, o italiano Sérgio Cragnotti, teria obtido um empréstimo pessoal de R$ 750 milhões do caixa da Bombril. O artigo 117 da Lei das S.A. considera abuso de poder a utilização de recursos da empresa em benefício do controlador. Em nota divulgada à imprensa, a Bombril contestou o valor da operação e os prejuízos causados aos acionistas minoritários. "O montante se refere ao saldo de venda do controle acionário, cuja transação foi devidamente aprovada pelos órgãos de gestão e controle da empresa", diz a nota. "A controladora do Grupo de empresas, do Sr. Sérgio Cragnotti, vem cumprindo rigorosamente com suas obrigações, não havendo nenhum débito vencido que possa ser reclamado pela Bombril", complementou. Já o diretor-superitendente da Associação Nacional dos Investidores do Mercado de Capitais, Renato Voltaire, informou que pretende entrar em contato com os acionistas minoritários da Bombril para analisar os possíveis danos causados pela operação. "Ainda vamos verificar se é preciso tomar medidas de mercado ou entrar na Justiça", disse. O presidente da CVM não quis dar detalhes da investigação. "Não posso falar de assuntos que estão em análise no órgão", esquivou-se o executivo, que participou hoje de uma palestra no Instituto Brasil-Europa. Ele lembrou que um de seus projetos é reduzir o prazo das investigações, que gira hoje em torno de cinco anos. "Estamos trabalhando para encaminhar, o mais rápido possível, ao Conselho Monetário Nacional, mudanças que agilizem esse projeto", explicou. "Qualquer decisão que leve mais do que cinco anos perde o sentido no mercado de capitais." Segundo Osório, um dos atuais problemas da CVM é o grande estoque de inquéritos analisados pelo órgão. "Não existe pessoal disponível para investigar uma nova denúncia", reclamou. Entre as mudanças pleiteadas por Osório na Lei das S.A. está também a padronização dos demonstrativos financeiros. Ele destacou que não há motivos para os balanços de empresas brasileiras ainda serem feitos com correção monetária. "Queremos seguir os padrões internacionais, especialmente os europeus", revelou. "O importante é dar condições aos analistas estrangeiros de entender os balanços e poder explicar os prós e contra das empresas."

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