São Paulo, 14 (AE) - A Comissão da Valores Mobiliários (CVM) iniciou hoje o estudo dos balanços de 1999 das companhias aéreas. A verificação dos dados está sendo feita pelo gerente de acompanhamento de empresas, Flávio Gori, e o resultado do trabalho deve ser divulgado na próxima semana. Se encontrar algo errado, a CVM poderá pedir a republicação dos dados com correções, a exemplo do que foi feito com a Transbrasil em 1996, quando lançou indevidamente uma ação de indenização. Na ocasião, a empresa saiu do lucro para prejuízo. O fato de as ações das empresas não serem líquidas dificulta o acompanhamento dos balanços. São poucos os analistas de investimentos especializados no setor. Por conta disso, atrasos na divulgação de dados e utilização de recursos contábeis diferenciados são comuns. É o caso do lançamento do leasing de aviões, dividido em operacional (aluguel) e financeiro (compra). As empresas aéreas contabilizam a operação como um bem no ativo e jogam no passivo as despesas do financiamento. Só que parte do passivo é corrigido em dólar e o ativo continua em reais, o que provoca um desequilíbrio no balanço.
Por isso, a Varig decidiu contabilizar o leasing apenas como aluguel. A medida, permitida pela CVM, é contestada pela TAM, que diz que prefere adotar práticas contábeis mundiais. Ela alega que, se fizesse o lançamento como a Varig, sairia do prejuízo para o lucro. Outro lançamento que dificulta a comparação entre as empresas é o reconhecimento de perdas cambiais, que pode ser feito em quatro anos. A TAM reconheceu toda a perda em 1999.
Vasp - A Vasp pagou hoje R$ 1,2 milhão à Infraero, referente às taxas aeroportuárias, e manteve o direito de continuar voando. Representantes dos sindicatos dos trabalhadores fizeram, no início da tarde, um ato em frente à sede da empresa, no Aeroporto de Congonhas.
A empresa de Wagner Canhedo recuperou na Justiça os 16% das ações ordinárias que havia perdido para TAM em novembro de 1992. Na ocasião, devido ao aumento de capital da TAM, a Vasp teve suas ações reduzidas a 5,5%. A retomada das ações pela empresa foi concedida em sentença do juiz Emanoel Tavares Costa, da 1.ª Vara Civil do Foro Regional do Jabaquara/Saúde.

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