Rio, 23 (AE) - O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Francisco Costa e Silva, disse hoje que a autarquia estuda se as informações prestadas ao mercado pela Eletrobrás sobre o aproveitamento da Lightpar para formar a Eletronet, empresa de transmissão de dados, foram suficientes. A comissão também investiga se houve vazamento de informações sigilosas para beneficiar investidores sobre a Lightpar, cujas ações aumentaram mais de 3.000% desde fevereiro, antes de sua negociação ter sido suspensa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Costa e Silva disse que a equipe técnica da CVM deverá dar um parecer dentro de 48 horas sobre esses dois pontos. Enquanto isso, a negociação das ações da Lightpar continuará interrompida. Ele informou também que deve reunir-se nesta semana com representantes da Eletrobrás para discutir o caso. A Lightpar terá 49% de participação na Eletronet - os outros 51% viriam de um sócio privado, a ser escolhido.
O assunto vai ser exposto a Costa e Silva pelo presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, e o diretor de Relações com o Mercado da estatal, Paulo Roberto Ribeiro Pinto. O presidente da CVM disse que, a partir dessa reunião com os executivos, vai analisar os efeitos da operação do ponto de vista dos acionistas minoritários da Eletrobrás.
A Eletronet vai utilizar a rede de transmissão de energia da Eletrobrás para a transmissão de dados. Há dúvidas sobre a possibilidade de prejuízo para os minoritários da Eletrobrás, pela concessão de um direito de exploração de um bem da companhia a uma empresa que não vai ser totalmente da estatal
como a Eletronet.

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