CVM analisa eventuais prejuízos de minoritários do BB
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 04 (AE) - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está analisando possíveis prejuízos que os acionistas minoritários do Banco do Brasil tiveram com a descoberta de irregulariedades nos fundos de investimentos da instituição. O órgão solicitou informações ao banco na semana passada e aguarda os dados para verificar se o BB descobriu a fraude muito tempo antes de divulgá-la.
O diretor da CVM Durval Soledade explica que, por ser uma empresa com ações negociadas em bolsas de valores, qualquer fato que influencie a decisão de compra ou venda de papéis do Banco do Brasil deve ser comunicado imediatamente pela direção do banco. "Estamos analisando o caso", afirmou. "É preciso verificar se houve lentidão na divulgação das irregulariedades." Segundo fontes do mercado, o BB teria descoberto a fraude em setembro de 1999, mas a divulgação do fato só aconteceu em março deste ano, seis meses depois. O banco terá de gastar cerca de R$ 73 milhões para ressarcir os 315 cotistas que tinham aplicações em nove dos 35 fundos administrados pela Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários do Banco do Brasil (BB-DTVM). O desembolso vai prejudicar o resultado da instituição este ano e, consequentemente, diminuir o valor das ações negociadas no mercado.
A perda resultou de uma aposta na não desvalorização do real no início de 1999, que estava restrita a um fundo de curto prazo, vinculado à conta corrente dos clientes. Em vez de fazer o ajuste na época, como fizeram outros bancos, o que provocaria uma queda da cota desse fundo, o administrador optou por pulverizar o prejuízo entre outros nove fundos que não haviam sido afetados pela mudança na política cambial.
As irregularidades foram comprovadas por auditoria interna e externa. Cinco funcionários apontados como responsáveis já foram afastados de suas funções, enquanto aguardam conclusão do inquérito administrativo aberto pelo banco.


