CUT reúne sem-terra e faz bloqueio no MS
CUT reúne sem-terra
e faz bloqueio no MS
Rubens Valente
Agência Folha
A CUT reuniu cerca de 500 trabalhadores rurais sem-terra ontem no centro de Campo Grande (MS) e bloqueou uma avenida central da capital. O grupo realizou protesto em frente ao Incra, pedindo celeridade nos processos de desapropriação de fazendas invadidas. A manifestação foi feita por participantes das oito invasões ocorridas de forma simultânea em Mato Grosso do Sul entre domingo e segunda-feira. As invasões foram promovidas por sindicatos filiados à CUT (Central Única dos Trabalhadores).
Os manifestantes lotaram a Assembléia Legislativa pela manhã e, à tarde, estiveram em audiência na sede do Incra com o superintendente regional, Paulo Condé. O bloqueio da avenida começou por volta das 15h30, congestionou o trânsito na área central e acabou meia hora depois. Um grupo de manifestantes foi recebido pelo secretário de Segurança Pública, Joaquim dAssunção Sousa em seu gabinete pela manhã.
O vice-presidente da CUT no Estado, Paulo César Farias, 24 anos, denunciou ao secretário que o DOF (Departamento de Operações de Fronteira), um grupo de elite formado por policiais civis e militares e ligado ao gabinete do secretário, estaria mantendo vigilância sobre sindicalistas da região Sul do Estado e montando guarda em fazendas invadidas pelos sem-terra.
Segundo Farias, agentes do DOF teriam vasculhando o sindicato de trabalhadores rurais de Deodápolis e copiado dados de fichas de filiados. Ontem, o DOF manteve uma equipe em frente à Fazenda Taquaral, em Juti, mesmo depois de ela ter sido invadida por cerca de 100 famílias. O secretário Sousa disse que vai orientar o DOF a não manter vigilância sobre as fazendas, nem pressionar os sindicalistas. Ele prometeu averiguar se houve excessos nas ações do DOF.
A assessoria do secretário disse que a presença da polícia na zona rural foi provocada pelos próprios sindicalistas, que segunda-feira divulgaram uma relação com nove fazendas passíveis de invasão nos próximos dias. Foi anunciado que um crime está para ser cometido. Aí a polícia tem que ficar alerta, disse o delegado Sidinei Alberto.





