São Paulo, 12 (AE) - O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, vai apresentar ao Congresso Nacional, em nome da direção nacional da central, um esboço de projeto de lei que reajusta todos os salários do País em 10% a partir de maio e recria uma lei salarial para os brasileiros, com reposição automática de perdas a cada vez que a inflação chegar a 5% (gatilho). Além disso, a direção da central quer aumento do salário mínimo de 44% - dos atuais R$ 130 para R$ 188 (o equivalente aproximado de US$ 100).
Com isso, Vicentinho, conhecido como liderança sindical moderada, apresentou hoje a mais radical proposta do movimento sindical para enfrentar a inflação. A Força Sindical já causou alvoroço na semana passada ao informar que seus sindicatos filiados partiriam para a luta pela reposição de perdas assim que a inflação chegasse a 10%
Mesmo entre os sindicatos da própria CUT, as idéias mais arrojadas apontavam para a indexação, na forma de gatilho. O aumento geral de 10%, definido em lei, foi muito além da expectativas.
Se o projeto vai passar ou não no Congresso, os sindicalistas não sabem. Mas a palavra de ordem de reajuste de 10% em maio e a proposta de resgate do velho gatilho salarial vão ser trabalhadas em todos os 2,8 mil sindicatos da central, que representam 19 milhões de trabalhadores.
Vai também pautar toda a programação de uma manifestação em São Paulo no dia 26 deste mês, e da comemoração do Dia do Trabalho, que será feita em 30 de abril este ano.
Segundo o secretário nacional de Organização Sindical da CUT, Marcelo Sereno, o índice de 10% de aumento geral e o gatilho a cada vez que a inflação atingir 5% não são números mágicos. Eles foram resultado de uma simulação feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) sobre o salário médio real de 1998 e a necessidade de reajuste para que este valor se mantenha em 1999. E foi feito a partir da projeção do próprio governo, de inflação de 16,8% este ano, que consta do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
"A CUT, até esse acordo com o FMI, estava sendo menos pessimista e projetando inflação de 13% no ano", afirmou Vicentinho. O presidente da central também fez críticas aos acordos de redução de salários para manter empregos. "Redução de salário significa aumentar lucro e não preservar empregos", disse. "É medíocre acreditar que preservar poder de compra causa desemprego ou inflação."

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