Rio, 01 (AE) - A Central Única dos Trabalhadores (CUT) está organizando uma greve nacional dos trabalhadores do setor automobilístico, que poderá ser deflagrada no próximo dia 14. A paralisação, por tempo indeterminado, faz parte de um cronograma de protestos e manifestações que a CUT pretende realizar a partir do Grito dos Excluídos, em 7 de Setembro, culminando com uma greve geral, ainda sem data definida.
Segundo o presidente da entidade, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, a greve dos metalúrgicos da indústria automobilística tem como objetivo chegar a um contrato coletivo de trabalho que proteja os empregados da guerra fiscal entre os Estados. "Pode haver negociação e, portanto, essa data pode sofrer mudanças e a greve não tem prazo determinado", informou.
Depois da greve dos metalúrgicos, está programada uma manifestação nacional em defesa da educação, marcada para 6 de outubro, em Brasília. "Temos de defender a escola pública e a qualidade do ensino", disse Vicentinho. "Os trabalhadores pobres estão perdendo na concorrência com os que fazem as melhores faculdades e vêm dos colégios particulares".
Em 12 de outubro, o ato programado é em comemoração ao Dia Latino-Americano de Combate à Exclusão Social. "Precisamos fazer uma ação conjunta como os países da América Latina, como Colômbia, Venezuela e Argentina, que estão vivendo uma crise grave como a nossa", explicou. A greve geral, segundo Vicentinho, está sendo discutida nos sindicatos e movimentos sociais e não ficou definida uma data, apenas que será realizada ainda este ano.
O anúncio do Plano Plurianual (PPA), rebatizado de "Avança, Brasil", não alterou os planos da CUT. "Nós torcemos para que o que o governo está propondo seja realidade e o meu sonho é evitar qualquer mobilização porque há emprego, se aumentou salário, se ganhou vida, respeito, dignidade", afirmou. "Nosso objetivo não é a greve, mas nós temos dificuldades de acreditar no que o governo está falando."
A palavra de ordem "Fora FHC", que tanta polêmica provocou antes da Marcha dos 100 Mil, não estará vetada se houver greve geral. "A luta é por emprego, salário, melhores condições", disse Vicentinho. "Mas todo mundo tem o direito de dizer o que pensa e viva a liberdade."

mockup