CUT, Força Sindical e Kaiser comemoram parecer
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 31 (AE) - As duas maiores centrais sindicais do País e a Kaiser, que nos últimos dias voltaram a pressionar o governo para que a fusão da Brahma com a Antarctica não se concretizasse, comemoraram hoje o parecer da Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça sobre a criação da AmBev. A SDE indicou que a venda de um dos negócios da AmBev - Antarctica, Brahma ou Skol - é necessária para que não haja monopólio no mercado de cervejas.
O presidente da Kaiser, Humberto Pandolpho, gostou do parecer e anunciou a disposição de adquirir qualquer uma das marcas. "Caso a AmBev decida vender alguma de suas empresas, temos o maior interesse em comprá-la", disse. O parecer da SDE servirá de base para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no julgamento da fusão. A Kaiser tem 15% do mercado de cervejas no Brasil e passaria a ter entre 37% a 43% se comprasse uma das marcas.
Pandolpho não quis avaliar se o parecer da SDE inviabilizará a AmBev. "O importante é que a SDE reconheceu que nenhum mercado monopolizado pode favorecer o consumidor", disse. Para ele, o relatório é bastante parecido com o da Secretaria de Acompanhamento Econômico (SAE), do Ministério da Fazenda, divulgado no ano passado, que sugeriu a venda da Skol para que houvesse maior equilíbrio no mercado. Por isso, afirmou o presidente da Kaiser, o esperado é que o Cade siga as recomendações do novo parecer.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também gostou do parecer. A maior central sindical do País têm em suas bases funcionários de 14 fábricas da Antarctica e da Brahma ameaçadas de fechamento. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação da CUT, Siderlei Oliveira, disse que se o Cade seguir o parecer, a AmBev não sairá do papel.
"Se a autorização para a fusão das cervejarias depender da venda de algum dos negócios da empresa, seja Brahma, Antarctica ou Skol, como indicou a SDE, a AmBev estará inviabilizada", avaliou Siderlei. Isso porque, se a AmBev vender qualquer um dos negócios, ficará do mesmo tamanho do que antes da fusão: com pouco mais de 40% do mercado. "A fusão perderia todo o sentido."
O deputado federal e presidente licenciado da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, afirmou também que a SDE acertou na decisão de recomendar ao Cade que evite a concentração de negócios. "A partir de agora, esse será o parecer da sociedade porque será defendido pelas centrais sindicais e muitos partidos políticos", disse.


