São Paulo, 29 (AE) - A Central Única dos Trabalhadores (CUT) vai apostar todas as fichas no plenário da Câmara Federal para tentar derrubar a proposta do governo de um novo modelo de cálculo de aposentadoria, aprovado ontem (28) à noite, na Comissão de Trabalho. Apesar de acreditar numa derrota do governo ainda na Comissão de Seguridade Social da Câmara, prevista para hoje, a CUT prepara intensa campanha para pressionar os parlamentares e os convencer a votar contra a proposta governista no plenário.
"O projeto do governo é horrível, não tapa buracos e não coíbe a sonegação", resumiu o presidente da entidade, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho. "O presidente Fernando Henrique Cardoso está apenas atendendo à determinação do acordo que fez com o FMI (Fundo Monetário Internacional); para cumprí-lo, quer que todos trabalhem mais, contribuam menos e ganhem menos", acusou o presidente da CUT. Vicentinho avisou ainda que irá cobrar o voto dos deputados que, eventualmente, se candidatarem à eleição municipal em 2000. "Vamos ficar de olho nos prefeitáveis", avisou.
De acordo com o texto aprovado na Comissão de Trabalho, quem completar o tempo exigido para se aposentar terá até um ano
depois da promulgação da lei, para optar ou não pela aplicação do chamado fator previdênciário no cálculo. O fator é a mais nova e polêmica novidade na definição do valor dos benefícios e leva em conta, além do tempo e do valor de contribuição, a expectativa de vida do segurado.
"Esse fator previdenciário é o redutor de todos os benefícios", afirmou o membro da direção nacional da CUT e mestrando em Direito Previdenciário, Remígio Todeschini. Ele enumerou as "barbaridades" apresentadas no projeto do governo: "São vários pontos lastimáveis, entre eles, o desrespeito aos direitos adquiridos, a obrigação das mulheres e dos mais pobres a trabalhar mais, além da redução de aposentadoria", resumiu Todeschini.
"Na realidaede, o governo está querendo beneficiar o sistema previdenciário privado porque, da maneira como está o projeto, todo mundo vai correr da Previdência Pública", avaliou Todeschini.
Pelas contas da CUT, a votação em plenário poderá ocorrer na próxima semana, provavelmente o dia 6. A campanha Aposentadoria pela hora da morte vai distribuir panfletos aos deputados federais, além de fazer inserções comerciais na TV e no rádio.

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