São Paulo, 20 (AE) - Os 454 sindicalistas que participaram hoje do encerramento da 9ª Plenária Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) decidiram iniciar um processo de consulta, em todos os 2,8 mil sindicatos filiados, sobre a possibilidade de deflagrar uma paralisação nacional em outubro. O movimento, se aprovado, será em protesto contra a política econômica do governo, segundo eles, culpada pelo desemprego, pela queda de renda dos trabalhadores, pela recessão e outros males.
Os dirigentes, como o presidente da central, Vicente Paulo da Silva, querem envolver ainda outros setores da sociedade, os mesmos que estão preparando a Marcha dos 100 mil, em Brasília, na quinta-feira, e compõem o chamado Fórum Nacional de Lutas partidos de oposição, movimentos populares e estudantil etc. O dia exato da paralisação não foi definido.
A consulta comecará a ser feita após a Marcha dos 100 mil. Segundo diretores da CUT que participam da organização da marcha, 1,5 mil ônibus em todo o País já foram fretados para o movimento, com lotação garantida. Isso não inclui o público que seguirá de todos os estados em ônibus de linhas regulares, avião e carros de passeio.
Greve - A articulação da greve nacional de metalúrgicos de montadoras e grandes autopeças, marcada para o dia 14 de outubro, reuniu hoje novamente dirigentes da CUT e da Força Sindical, para acertar detalhes do movimento. Não houve ainda definição do índice de reajuste que será pleiteado.
A pauta será apresentada aos trabalhadores na terça-feira, em assembléias que paralisarão a produção das empresas por pelo menos uma hora. Quarta-feira, os empresários do setor conhecerão as reivindicações.
A principal delas é a de negociação de um contrato nacional de trabalho específico para o setor, que elimine distorções salariais e de direitos entre metalúrgicos do estado de São Paulo e de outros estados, onde novas unidades foram instaladas.
As diferenças de ganhos dos trabalhadores chegam a ser de 200%. Além disso, as centrais querem que haja redução do tempo semanal de trabalho, que hoje varia entre 44 e 40 horas, para 36 horas, de forma gradativa.Por Liliana Pinheiro ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca corrige informação, no segundo parágrafo. Por favor, desconsidere a enviada anteriormente.

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