CUT comanda passeata de protesto pelas ruas do Recife
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 30 (AE) - Trabalhadores urbanos e rurais, estudantes e políticos de partidos de oposição saíram em passeata, no final da tarde de hoje pelas ruas centrais do Recife, para protestar contra a política do presidente Fernando Henrique e defender um salário mínimo de R$ 180,00, reforma agrária, saúde e mais oportunidades de emprego.
"Fora FHC, Fora FMI, a gente afastou Collor e vai afastar você" foi o slogan da passeata, que reuniu 3 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar e 8 mil de acordo com os organizadores. A caminhada teve início na Praça Osvaldo Cruz, na Boa Vista, e seguiu até o Palácio do Governo, antes de encerrar na Praça do Carmo, com ato público, apresentação de peça teatral e show de pagode.
Os participantes se auto-intulavam, através de faixas, como "sem-terra, sem-teto, sem hospital e sem-emprego" e, durante todo o trajeto, apitavam e repetiam palavras de ordem.
A Polícia Militar colocou 757 homens para acompanhar a manifestação e cercar os prédios da Assembléia Legislativa e Palácio do Governo. Todo o serviço de inteligência da PM também foi mobilizado.
O protesto, intitulado Dia Nacional de Luta, foi organizado pela CUT e marcou antecipadamente o 1º de Maio. O presidente da CUT-PE, Jorge Perez, disse que o objetivo da manifestação era mostrar "a insatisfação dos trabalhadores em relação à situação caótica de crise e à atual política federal".
A maior reclamação dos trabalhadores rurais, segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape), Januário Moraes, é a falta de incentivo para os assentados, a falta de desapropriação para reforma agrária e o massacre da seca. "Queremos não só a manutenção das frentes produtivas como a ampliação do número de alistados dos atuais 211 mil para 400 mil", afirmou.
O governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) também não foi poupado de críticas pelos manifestantes, que, em comissão, entregaram, no Palácio do Governo, um documento cobrando uma política efetiva de negociação com os diversos segmentos sociais.


