CUT anuncia nova manifestação contra a política econômica
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quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Cleide Silva 
São Paulo, 23 (AE) - Com um dos maiores índices de impopularidade já registrados no País principalmente por causa do número recorde de desempregados, o presidente Fernando Henrique Cardoso vai enfrentar no dia 10 de novembro mais uma manifestação contra sua política econômica. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) anunciou hoje a realização do Dia Nacional de Paralisação e Protesto em Defesa do Emprego e do Brasil e espera a participação de milhares de pessoas.
"Dessa vez não serão 100 mil, mas milhões", disse o presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho
referindo-se à marcha realizada em Brasília no mês passado. Os organizadores pretendem suspender as atividades nas fábricas, nos bancos e nas escolas, envolvendo a população de todos os Estados, mas com protestos locais.
O movimento será precedido de uma série de outros protestos que já estão sendo organizados, como o "festival de greves" dos trabalhadores do setor automobilístico (que começou hoje e termina no dia 28 de outubro) , marcha dos sem terra em Brasília (dia 7) e o Grito Latino-Americano contra a Exclusão Social, que será realizado na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçú (PR), com participantes de 12 países (dia 12).
"Não se trata de uma greve com o slogan fora FHC, mas qualquer um que queira manifestar-se nessa linha terá ampla liberdade", disse Vicentinho. Ele afirmou que todas as centrais sindicais, inclusive a Força Sindical, serão convidadas a participar do protesto, assim como partidos políticos, igrejas e organizações de bairro.
Para não receber as mesmas críticas feitas pelo governo na ocasião da chamada Marcha dos 100 mil, de que era um movimento sem propostas, a CUT preparou uma ampla lista de reinvindicações que vão desde a suspensão da dívida externa até redução da jornada de trabalho para 36 horas, aumento de 10% para todos os trabalhadores, passando por reforma agrária, instalação de uma CPI sobre a privatização da Telebrás e contra o projeto do governo para a Previdência Social.


