Custos e mudanças na lei afastam empresas do mercado de capitais
Por Cleide Sánchez Rodríguez
São Paulo, 19 (AE) - Nos primeiros quatro meses deste ano, oito companhias resolveram abrir o capital, enquanto 19 decidiram fechá-lo. Os dados são da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O número de empresas que desiste de recorrer ao lançamento de ações no mercado para captar recursos é cada vez maior. Entre os motivos, estão desde os custos elevados para manter aberta uma companhia até a mais recente alteração da legislação conhecida por Lei Kandir, feita em 1997, para tornar viável o programa de privatizações do governo, reduzindo os direitos do acionistas minoritários na divisão e venda de controle.
A combinação desses e outros fatores está fazendo com que nos últimos tempos essa tendência de deixar o mercado de capitais esteja se tornado cada vez mais forte. O resultado é que o número de empresas cancelando os registros superou o de aberturas. Um estudo recente produzido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a pedido da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), mostra que, de 1994 a 1998, 99 empresas abriram o capital no País, enquanto 133 fecharam. O custo de manutenção foi apontado como a principal desvantagem das companhias abertas, de acordo com a pesquisa realizada pela Abrasca. Essa foi a causa apontada por 62% dos empresários entrevistados. Para negociar suas ações nas bolsas, as empresas gastam, em média, US$ 435 mil por ano.
"Para uma grande empresa em condições de captar US$ 100 milhões no mercado esse custo é razoável, mas para a maioria das companhias abertas a realidade é bem diferente", afirmou o professor Carlos Antonio Rocca, coordenador da pesquisa da Fipe.





