São Paulo, 16 (AE) - O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Roberto Setúbal, disse hoje, na abertura 9º Congresso Internacional de Automação Bancária (Ciab99), em São Paulo, que a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) não vai onerar o custo do dinheiro para a rede de bancos. O custo dos 0,38% ficará por conta do consumidor.
O banqueiro também fez uma avaliação do cenário econômico no primeiro semestre, mostrando que algumas previsões feitas, no início do ano, não se realizaram - como inflação e taxa de juros altas -, o que acabou refletindo nos negócios dos bancos. A inadimplência, por exemplo, existe, mas é bem menor. "Os juros ainda não estão nos níveis desejáveis e podem cair ainda mais no segundo semestre", contou.
Para Setúbal, os juros podem ficar abaixo dos 16% ao ano
obtendo o cenário mais tranquilo dos últimos 20 anos. O Brasil tem condições de operar com taxas nos mesmos níveis das que vigoram no mercado internacional, hoje com variação de 5% a 7% ao ano, disse.
Ele comentou que o Plano Real mostrou que não havia necessidade de controlar os preços para derrubar a inflação, mas sim provocar um ambiente de competição aberto em que não houvesse espaço para subir os preços. Com as taxas de juros, o banqueiro disse que pode ser feita a mesma coisa.
Porém, ele acredita que o Brasil precisa ter um ajuste fiscal permanente. "O que foi feito até agora só dá para enfrentar a questão este ano."
Setúbal, que no passado chegou a criticar o avanço do capital estrangeiro na área financeira, hoje vê a questão com outros olhos. "Sempre fui a favor de ter regras claras a respeito do assunto, depois que entendi que as autoridades brasileiras queriam o mercado financeiro aberto, comecei a ver a questão de outra maneira", revelou.
Segundo ele, foi graças a solidez do mercado financeiro nacional - formado por bancos estatais, privados nacionais e estrangeiros - que o Brasil conseguiu superar a crise desencadeada internacionalmente e depois internamente, quando ocorreu a desvalorização do real, em janeiro.
Banespa - Setúbal não quis fazer muitos comentários sobre o leilão de privatização do Banespa, em outubro. No mercado, o comentário é que o Banco Central vai exigir patrimônio líquido de R$ 3 bilhões para quem quiser participar do leilão do Banespa, o que limitaria o número de participantes a dois bancos nacionais (Bradesco e Itaú) e os estrangeiros.
"Ainda não está claro como será o leilão", disse. "O governo tem interesse em criar um ambiente de competição e talvez possa permitir a formação de consócios entre as instituições."
Na abertura do Ciab99, Setúbal contou que o Brasil precisa de 9% de retorno somente para cobrir o custo de funcionamento da instituição bancária. Segundo ele, o País ainda está muito longe da média americana, de 2,5%. Na Argentina, a média chega a 7%, enquanto no México está em torno de 5%.

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