São Paulo, 28 (AE) - O reflexo do aumento do combustível no custo de vida do paulistano poderá ser maior que o esperado. Se o reajuste médio no preço da gasolina ficar em 20%, como tem sido anunciado por alguns postos da capital, o impacto será de 0 60 ponto porcentual na inflação de julho. Caso o combustível seja majorado, em média, em 25%, o reflexo será de 0,74 ponto porcentual no custo de vida do mês que vem. Quando o governo anunciou o reajuste de 10% na semana passada, o impacto esperado era de 0,40 ponto porcentual em julho. Esse aumento da gasolina, somado ao de outros itens, resultaria numa inflação de 0,70% no mês que vem.
Os cálculos são do coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), Heron do Carmo, que leva em conta o peso de 3,3% da gasolina no índice. Ele não acredita que a média dos reajustes fique na faixa de 20% e muito menos que esse novo nível de preço se mantenha.
"Vai sobrar gasolina", prevê o economista, argumentando que, num primeiro momento, os postos tenderão a reajustar os preços em porcentuais superiores à realidade do mercado. Mas, com a concorrência acirrada, a tendência é de os novos preços se acomodarem com reajustes inferiores a 20%. Uma alta de 20%, significa que a cada R$ 100 gastos com combustível, R$ 20 são por conta do reajuste de preço.
A tendência do consumidor que está com o orçamento apertado, diz o coordenador do IPC, é ir atrás do posto que vende combustível mais barato, forçando a queda nos preços. Outra atitude defensiva do paulistano para inibir os aumentos, observa, é reservar uma quantia fixa para a gasolina, não levando em conta o reajuste. O efeito disso é a redução no consumo do produto.
Os gastos com ônibus interestaduais não estão incluídos no IPC. Mas, se as tarifas dos ônibus intermunicipais, que integram o índice, forem reajustadas também em 17%, o impacto será de 0,21 ponto porcentual, diz Heron, reafirmando que não há espaço para alta.

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