Custo de matéria-prima trava negócios na cadeia têxtil
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 23 (AE) - A alta dos custos das matérias-primas continua sendo o principal obstáculo para os negócios na cadeia têxtil, segundo avaliação feita hoje pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf, na abertura da Feira Internacional de Tecelagem (Fenatec). As negociações com fornecedores (algodão e produtos químicos para fibras sintéticas) estão em andamento, mas, até agora, não produziram resultados concretos, afirmou Skaf.
O maior obstáculo é a resistência das indústrias petroquímicas de primeira e segunda geração em reconsiderar o reajuste de 50% dos seus preços, usando como referência um câmbio de R$ 1,80 por dólar, apesar de a Petrobrás ter aumentado a nafta, a matéria-prima básica dos produtos sintéticos, em 26%. Skaf considera injustificado o aumento dos preços que atinge a todos os segmentos da cadeia de produção dos fios sintéticos, uma vez que os demais custos dessas empresas, como salários, aluguéis, cujos administrativos e impostos, não aumentaram na mesma proporção.
O preço do algodão segue as cotações internacionais, mas cotonicultores e fabricantes de fios e tecidos negociam acordo que deverá, ao menos, assegurar a auto-suficiência até o ano 2002. A produção nacional de algodão, este ano, deverá chegar a pouco mais de 400 mil toneladas, para um consumo em torno de 800 mil toneladas, o que obriga as empresas a importar pelo menos a metade de suas necessidades dessa matéria-prima. "O avanço tecnológico no setor agrícola permite expressivo ganho de produtividade", afirmou Skaf.
A Fenatec foi aberta hoje no Centro Têxtil e destina-se a lançar e comercializar produtos de moda para as estações primavera e verão. A vantagem obtida a partir da mudança da política cambial deverá refletir-se nos negócios durante a feira
acredita o presidente da Abit. O novo regime cambial melhorou a competitividade das empresas brasileiras do setor, cujas exportações deverão crescer a partir do segundo semestre, acredita Skaf.


