Custo de duplicação da Régis pode ser reduzido em 50%., diz ex-secretário
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domingo, 19 de março de 2000
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 20 (AE) - O projeto do governo para a duplicação da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), no trecho da Serra do Cafezal, entre Juquitiba e Miracatu, é questionável sob os aspectos técnico, econômico e ambiental. A opinião do ex-secretário de Transportes do Estado e deputado federal Horácio Ortiz, integrante do Instituto de Engenharia de São Paulo. Para ele, o custo da obra, anunciado recentemente pelo ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, pode ser reduzido em 50%, se o ministério levar em conta alternativas para a obra.
O governo vai gastar R$ 230 milhões para duplicar os 27 5 quilômetros da serra. Nos outros 177 quilômetros do trecho paulista, foram gastos R$ 428 milhões. Segundo o ministro, o custo pelo menos cinco vezes maior por quilômetro duplicado é consequência dos cuidados com o ambiente. Ortiz assegura que, entre as seis alternativas propostas para a obra, o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), optou pela mais cara, demorada e de maior impacto ambiental.
O projeto prevê a construção de uma variante de 5,3 quilômetros, à direita do Ribeirão Caçador, com uma faixa de 80 metros, desmatando 42,4 hectares em área de Proteção Ambiental da Serra do Mar.
"Atentado" - De acordo com Ortiz, estudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) demonstrou a necessidade de cortes e aterros que totalizam 509 mil metros cúbicos de terra. "Essa solução constitui um atentado ambiental, pois a variante paralela ao leito antigo formará uma ilha de mata atlântica de 250 hectares cercada por duas auto-estradas, sujeita a invasões e à poluição produzida pelos veículos."
Segundo Ortiz, o estudo do IPT apontou como melhor alternativa a duplicação da rodovia no leito atual, com redução de custo, prazo e impacto ambiental. "Essa opção não foi aceita pelo DNER porque o estudo de traçado feito pela empresa contratada tinha imprecisões."
O superintendente do DNER em São Paulo, Deuzedir Martins
disse que a opção pela segunda pista paralela no trecho mais íngreme da Serra do Cafezal se deve a uma questão de estratégia. "Como o local é instável e sujeito a deslizamentos, ter as duas pistas no mesmo leito eleva o risco de interdição da estrada." Em 1969, a via ficou interrompida por causa da queda de barreiras. Ele reconheceu que o desvio encarecerá a obra, mas afirmou que a conveniência operacional justifica o custo. "Se houver algum problema, temos a outra pista." O projeto só ficará pronto no fim do ano.


