Custo de acidentes chega a R$ 50 bilhões ao ano
Os acidentes de trânsito custam à sociedade brasileira cerca de R$ 50 bilhões a cada ano. Os custos associados às vítimas representam a maior fatia desse montante, com destaque para a perda de produção, com impacto direto sobre a Previdência Social, e os custos com tratamentos de saúde.
As informações constam na pesquisa "Acidentes de trânsito nas rodovias federais brasileiras: caracterização, tendências e custos para a sociedade", feita pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Deste total, R$ 12 bilhões são referentes a acidentes ocorridos em estradas federais.
O trecho da BR-376 que passa por Maringá é o sétimo mais perigoso do País, com 488 acidentes, dos quais 72 foram graves, com oito mortes. O inspetor Marcos Pierre Vespermann Carvalho é o responsável pela delegacia da PRF que abrange as regiões Norte e Noroeste do Paraná. A área abrange oito unidades operacionais e 758 quilômetros de rodovias federais, entre as quais estão as BRs 376, 369 e 153, totalizando 4 mil quilômetros de rodovias. Ele destaca que a cada 11 minutos morre uma pessoa no trânsito no Brasil.
Segundo ele, a pesquisa do Ipea aponta que um acidente sem vítima custa R$ 23 mil aos cofres públicos, cálculo que engloba desde combustível da viatura que atende a vítima até o deslocamento do Siate, que no caso não precisou realizar o atendimento.
Já um acidente com vítima grave custa R$ 96 mil aos cofres públicos, já que o prejuízo engloba as perdas geradas pelo período que a pessoa fica afastada do trabalho, onerando a Previdência. "Já um acidente fatal engloba R$ 600 mil, levando em consideração que a maioria das vítimas fatais possui entre 25 e 35 anos, que é a faixa etária mais produtiva. Estamos perdendo talentos e vidas e que poderiam estar contribuindo para o crescimento do País", apontou.
A socorrista do Samu e da concessionária Triunfo Econorte, Soraia Matie Aihara, chama a atenção para o abuso de velocidade, que aumenta a gravidade dos acidentes. "Em um percentual considerável a gente encontra vítimas encarceradas nas ferragens, inconscientes, com trauma de tórax e de crânio. Várias vezes ocorrem óbitos no local", relatou.
Ela destaca que os trechos da região em que mais atende ocorrências ficam perto de Sertanópolis, Bandeirantes, Andirá e Cornélio Procópio. "Os acidentes que socorri ou foram causados por ultrapassagem em local proibido onde há sinalização de faixa contínua ou excesso de velocidade", apontou. Ela acrescenta que também são comuns casos de motoristas embriagados.
Segundo Carvalho, a PRF mapeou 100 pontos críticos onde a operação terá prioridade. "Aqui na nossa região de Londrina temos três pontos de 10 km cada, que vão de Ibiporã a Rolândia, ou seja, temos 30 km dos trechos mais críticos do Brasil", aponta.
Carvalho estima que o fluxo de veículos varia de 20 mil a 40 mil circulando diariamente pelas rodovias federais da região. "É um número muito grande. Com a visibilidade das operações, que podem acontecer no período da manhã, tarde ou noite, mostraremos a presença dos órgãos na fiscalização. Chamamos isso de princípio da dissuasão, para que os motoristas sintam que a qualquer momento ele pode ser fiscalizado", aponta.(V.O.)





