São Paulo, 20 (AE) - As sucessivas desvalorizações do real vão provocar aumento de custos de 30% na General Motors este ano. Segundo o presidente da empresa, Frederick Henderson, a montadora conseguiu repassar 25%. Ele não adiantou, porém, se a continuidade da pressão cambial resultará em mais aumentos de preços. No início do mês, a indústria automobilística reajustou os preços dos carros em até mais de 15%.
"Com a desvalorização a moeda custa quase 70% mais do que há um ano", destacou. O executivo disse que a empresa está "reduzindo violentamente" a dependência dos componentes importados. Mas isso não é suficiente porque o setor trabalha com muitos insumos que têm preços mundiais, como aço e petroquímicos.
"A situação é difícil e complicada", completou. Henderson não acredita que o dólar continue em mais de R$ 2,00. Para ele, a tendência é a cotação baixar para R$ 1,70 a R$ 1,80. Estes eram os números com os quais a indústria automobilística trabalhava no início do ano, quando o real sofreu a primeira grande desvalorização.
A General Motors, que fechará o ano com prejuízo, só espera sair do vermelho em 2000 se o mercado crescer para 1,5 milhão de veículos. Este ano deverá chegar a pouco mais de 1,2 milhão. Caso o quadro não melhore, segundo Henderson, não serão vendidos mais do que 1,1 milhão de veículos no próximo ano. O que representa mais prejuízo para o setor. "Mas não é só o volume que traz este indicativo; temos que reduzir as pressões de custos", completou.
As projeções para este mês também são pessimistas. Para o presidente da General Motors, o consumidor antecipou, nos cinco últimos dias de setembro, as compras que faria em outubro para não pagar o reajuste de preços.
A General Motors lançou hoje um novo site na Internet. A partir do próximo ano, por meio deste mesmo site, o consumidor poderá comprar carros. Por enquanto, ele poderá conhecer o veículo, saber o preço de cada acessório e montar a versão que deseja, passando a encomenda para o fabricante com a escolha de um concessionário, no qual irá retirar o veículo.
O vice-presidente da GM, André Beer, disse que a presença do concessionário ainda é necessária para efetuar a venda. No entanto, na Europa e Estados Unidos, o setor está investindo cada vez mais para aumentar a participação da Internet no comércio de veículos. O presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores Chevrolet, Darcy Santos, acredita que a Internet poderá resultar em redução de preços nos carros, já que as concessionárias vão precisar de menos vendedores. Para manter o consumidor mais ligado ao site da marca, a General Motors adicionou uma série de serviços. Por meio da interligação de quatro sites (www.gm.com.br, www.gmb.com.br, www.chevrolet.com.br e www.gmcenter.com.br), o usuário poderá acessar informações sobre lazer, turismo, informática, esportes e as ultimas notícias em tempo real, fornecidas pela Agência Estado.
A indústria automobilística está investindo no potencial de consumo dos internautas, que no Brasil já somam 4,5 milhões - 640% mais do que há três anos. Com mais de 450 provedores de acesso, o Brasil tem hoje em pelo menos metade da população internauta usuários com renda acima de 20 salários mínimos. Entre os internautas brasileiros, 64% acessam a rede diariamente e 70% deste total ficam conectados pelo menos uma hora.

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