Brasília - Por ano, saem dos cofres públicos cerca de R$ 1,2 bilhão para financiar tratamento de pessoas com excesso de peso e com doenças ligadas à obesidade, no Brasil. O levantamento, inédito e ainda preliminar, foi apresentado pelos autores e pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rosely Schieri e Cid Manso de Melo Viana, ontem no Fórum Peso Saudável no Brasil.
Os pesquisadores cruzaram dados de 2001 do Sistema Único de Saúde, responsável por 75,5% das hospitalizações, e informações internacionais para calcular o impacto da obesidade nos cofres públicos no Brasil. Rosely e Cid afirmam que o excesso de peso agrava o quadro de doentes crônicos. Metade das internações de doentes com diabete é consequência do excesso de peso. O mesmo ocorre com 15% dos hospitalizados por hipertensão.
Segundo os dados, os obesos consomem 77% mais medicamentos do que a população em geral. Estão bem à frente dos fumantes que usam, em média, 28% mais remédios que as demais pessoas.
Durante o fórum, organizado pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), revelou-se que cerca de 40% da população está acima do peso ou seja, 70 milhões de brasileiros, quase o triplo de 20 anos atrás. Deste total, 5 milhões sofrem de obesidade mórbida.
A presidente da Sociedade de Endocrinologia e Metabolismo, Valéria Guimarães, afirma que obesidade é doença crônica. A pessoa precisa controlar o peso por toda a vida. Ela afirma ainda que o problema se agrava mais quando começa na infância.
A endocrinologista explica que o número de células adiposas se multiplica na infância. Já quando a pessoa ganha peso a partir da adolescência essas, células apenas aumentam de tamanho. Devido à alimentação incorreta, o número de obesos infantis cresceu 240% em duas décadas no Brasil, enquanto nos Estados Unidos o aumento foi de 64% no mesmo período.
O senador Tião Viana (PT/AC), autor de um projeto que restringe a propaganda de alimentos, afirma que uma criança acima do peso tem entre 50% e 70% de chance de ser um adulto obeso. O projeto prevê que a propaganda de alimentos contenha advertências sobre os riscos decorrentes do consumo excessivo.

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