Londrina - ''A evasão é o problema mais sério do sistema de ensino brasileiro.'' A avaliação é do pesquisador Oscar Hipólito, do Instituto Lobo para Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia. Segundo ele, cada matrícula em instituição pública de ensino superior custa em média R$ 15 mil anuais aos cofres públicos. ''A média brasileira é de 22% de evasão a cada ano, o que corresponde a cerca de 800 mil estudantes'', revela.
De acordo com Hipólito, em 2009 o País sofreu prejuízo de R$ 9 bilhões por conta da evasão. No Paraná cerca de 55 mil estudantes abandonaram o ensino superior naquele ano. Na pesquisa, ele utiliza como base os dados do Censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
Apesar das perdas financeiras, o pesquisador acredita que o maior prejuízo é a frustração do estudante. ''Ele procura a instituição em busca de conhecimento e não consegue acompanhar o curso, por deficiência de dinheiro ou mesmo de educação básica. Ou entrou num curso que não gosta, não encontrou o que esperava'', declara.
Ao tomar conhecimento dos dados da UEL, de que apenas 45% dos estudantes se formavam em quatro anos, Hipólito considerou um ''desperdício''. ''Imagina se fosse uma empresa. Faço um planejamento, uma estrutura curricular, para que entrem cem alunos e em quatro anos saiam cem formados, mas só saem 45. Mesmo que o aluno não esteja presente, as universidades precisam manter a infraestrutura adequada, com prédios equipados, além de pagar professores e funcionários. É um problema socioeconômico muito sério, pois não forma número de pessoas necessárias. Quanto mais gente com ensino superior melhor para o PIB do País'', avalia.
Segundo o pesquisador a média nacional de formados após quatro anos de curso gira em torno dos números apresentados pela UEL. ''Nas universidades privadas é ainda pior. Isso porque a maioria dos estudantes do setor privado vem de colégios públicos, tem uma deficiência maior. O ensino básico brasileiro é muito fraco. Por outro lado as universidades públicas recebem, em sua maioria, estudantes de colégios privados.''
De acordo com Oscar Hipólito, para diminuir a evasão é necessário um acompanhamento mais próximo dos estudantes. ''É preciso conhecer bem o aluno, saber sua expectativa, deficiências. Realizar programas de nivelamento. Pois se entra e tem dificuldade vai evadir ou demorar para concluir'', aponta.(D.B.)

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