Curto-circuito provocou incêndio no Ouro Verde
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quarta-feira, 14 de março de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - O incêndio do Cine Teatro Ouro Verde, que aconteceu no dia 12 de fevereiro e destruiu o prédio, foi provocado por um curto-circuito na fiação elétrica que ficava sobre o forro. A conclusão foi divulgada pelo Instituto de Criminalística de Londrina na tarde de ontem, em apresentação realizada no auditório da Infraero.
Segundo o perito da Polícia Científica, Luís Noboru Marukawa, o foco do incêndio foi determinado na primeira semana, quando foi feita a análise dos locais que foram mais atingidos pelas chamas e constatado que o local era próximo de onde as primeiras estruturas da cobertura caíram, na parte central do teatro.
Para saber as causas, Noboru relata que foi necessário retirar os telhados que estavam impedindo o acesso. Só quando o material foi retirado foi possível vislumbrar o que pode ter acontecido. ''Quando o material foi retirado foi constatada a existência de fios elétricos com características de terem sofrido um curto-circuito, que não estavam em nenhum outro lugar do teatro'', revelou.
Segundo ele, a fiação ficava sobre o forro, o que impossibilitava que as pessoas percebessem o problema antes do incêndio, embora haja depoimentos de testemunhas que teriam sentido o cheiro de queimado horas antes das chamas se propagarem. Noboru destaca que o curto-circuito fez o forro queimar lentamente, como se fosse uma brasa em uma churrasqueira e as fagulhas caíram sobre uma lona plástica, que estava estendida sobre as poltronas do teatro para evitar que elas se sujassem com a poeira de madeira da reforma do palco, o que facilitou a propagação das chamas pelo teatro.
''Depois da chama ter se alastrado, a oxigenação do local aumentou quando a cobertura caiu e isso contribuiu para aumentar ainda mais o fogo'', explicou. Durante a apresentação do laudo foi realizada a apresentação de um vídeo animado por computador em três dimensões que possibilitou que as pessoas entendessem a dinâmica do incêndio. (A animação está disponível nos sites www.folhaweb.com.br e www.bonde.com.br.)
O perito relata que a análise das amostras realizadas em Curitiba confirmou que o fogo não tinha sido originado com a utilização de álcool. Ele destacou que as amostras continham quantidades de hidrocarbonetos, mas que elas tinham origem nas espumas das poltronas e na lona de plástico. ''Só depois de receber essa análise tive 100% de certeza do que tinha provocado o fogo'', declarou.
O perito descartou a hipótese de negligência, embora o alarme contra incêndio esteja fora de funcionamento por quatro anos e a fiação da elétrica não tenha sido trocada. ''O equipamento de alarme de incêndio não teria sido capaz de detectar o fogo, pois ele estava instalado na parte do piso do teatro e o fogo começou no forro do prédio'', declarou.
Noboru defendeu a tese de que o teatro sofria constantes reformas, o que para ele indicaria que o teatro não estaria sendo negligenciado. Para ele, o prédio era velho e amostras da fiação coletadas em pontos que não foram atingidos estavam em boas condições.
Ele explica que por mais que se reforme, o ideal seria fechar o teatro por três anos, quebrar todas as paredes para trocar adequadamente toda a fiação.



