Rio, 15 (AE) - Um curto-circuito na barra de manobra de energia da subestação de transição Terminal Sul, da Light, foi a causa do apagão que deixou sem luz, por 19 minutos, ontem à noite, dez bairros da zona sul do Rio. O equipamento é responsável pela recepção de 138 mil volts, que chegam ao local por seis linhas de transmissão de Furnas e são repassados para outras sete subestações da Light. O defeito aconteceu às 19h15 e desligou todo o sistema elétrico da subestação, provocando o apagão. Os técnicos da empresa tiveram, então, que acionar a segunda barra de manobra, que funciona como reserva.
Segundo o diretor da Light, José Márcio Ribeiro, a subestação, que funciona no Horto, zona sul, estará totalmente recuperada até quinta-feira. "Se houver qualquer problema até lá, o fornecimento de eletricidade não será interrompido, porque poderemos recorrer provisoriamente à subestação Frei Caneca (centro)", explicou. A barra e duas chaves seccionadoras (que controlam a entrada de energia), danificadas pelo curto, serão enviadas à empresa francesa Aestom, fabricante dos equipamentos, para serem periciadas.
A dúvida dos técnicos é saber porque ocorreu o curto, já que o Terminal Sul, apesar de estar funcionando desde 1981, passou por uma reforma, com atualização tecnológica, no ano passado. A barra com defeito tem 25 metros de comprimento e 10 centímetros de diâmetro e é protegida por um tubo de aço de 30 centímetros de diâmetro. Um gás especial - hexafluoreto de enxofre (SF6) - garante o isolamento da barra energizada.
A subestação da Light, chamada de transição, justamente por ser responsável pela transferência da energia que chega por via área para cabos condutores terrestres, recebe eletricidade de seis linhas de transmissão de duas estações de Furnas - Grajaú e Jacarepaguá. De lá, a energia é distribuída para sete subestações da Light, que abastecem toda a zona sul do Rio. No dia do apagão, os técnicos conseguiram restabelecer o abastecimento do sistema Grajaú, que atende aos bairros do Jardim Botânico, Leblon e Gávea, em cinco minutos. O sistema Jacapeguá, com estrutura mais complexa, demorou 19 minutos para ser reativado. Indenização - Light pretende recorrer à Justiça caso a Companhia Estadual de água e Esgoto (Cedae) decida cobrar R$ 1,8 milhão de ressarcimento por prejuízos provocados pelo blecaute de quinta-feira passada, que atingiu a região centro-sul do País. O valor foi estimado pela Diretoria de Operação e Manutenção da Cedae. Segundo a estatal, 2 bilhões de litros de água deixaram de ser tratadas e distribuídas na cidade.
"A Light vai estudar o pedido de ressarcimento e, caso não concorde com ele, poderá recorrer à Justiça, caso a Cedae decida por esse caminho", explicou Ribeiro. O diretor da Light garantiu, no entanto, que os consumidores que tiveram equipamentos queimados por causa do blecaute serão ressarcidos. Das 22 horas de quinta-feira até às 16 horas de hoje, a empresa tinha recebido 32 mil ligações, das quais 1,5 mil só sobre reclamações de equipamentos danificados.
Até o fim do dia, duas pessoas haviam procurado a agência da Light, no centro, para dar entrada formal no pedido de ressarcimento. Dono de um restaurante na Barra da Tijuca, o comerciante Ricardo Fontanes, 43 anos, tentou entrar com o pedido, mas não conseguiu por falta dos documentos necessários - cópias da conta de luz e do orçamento de conserto do equipamento danificado. Com o blecaute, o motor que sustenta a câmara do frigorífico do restaurante de Fontanes - avaliado, segundo ele, em R$ 12 mil - queimou. "A culpa não foi minha e tenho todo o direito de cobrar pelo conserto", disse Fontanes.

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