Apesar de se manter perto da casa dos 50%, o aproveitamento de vagas nos cursos de Pedagogia, uma das graduações mais oferecidas no Brasil, já esteve pior. Em 2005, segundo dados do MEC, do total de vagas disponibilizadas em Pedagogia e Normal Superior, apenas 44,94% foram preenchidas. Em 2011, o aproveitamento foi de 52,40%.

Esse crescimento foi proporcionado pelos cursos a distância, já que os presenciais têm perdido espaço. De 2005 para 2011, a oferta de vagas em Pedagogia nesse tipo de graduação caiu de 226 mil para 192,5 mil. Por outro lado, a disponibilidade em cursos a distância passou de 155,2 mil para 161,5 mil. Os cursos presenciais eram responsáveis pela maioria dos ingressos em 2005: 111 mil contra 60,2 mil das graduações a distância. Em 2011, os cursos a distância registraram 103,5 mil ingressos, contra 82 mil dos presenciais.

A UniFil, universidade londrinense, não vai ofertar curso de Pedagogia no próximo vestibular. No lugar, está sendo oferecido um curso de licenciatura para certificação e habilitação de professores para profissionais com qualquer diploma de graduação: em até um ano, é possível obter registro para lecionar nos anos finais do ensino fundamental, além do médio e técnico profissionalizante.

"O que temos percebido é a tendência dos professores com licenciatura migrarem muito de outras áreas. Por exemplo, professores de matemática, que dão aulas no ensino médio e no fundamental, têm vindo de cursos de Economia, Contabilidade, Engenharia. Os cursos de licenciatura têm que ser repensados. A pessoa estuda Pedagogia quatro anos e depois tem que se especializar em alguma área, é um processo moroso", justifica Lupércio Luppi, pró-reitor de graduação da UniFil. Ele argumenta que as próprias estratégias de governo têm privilegiado "programas de curta duração" para formação de professores.

Luppi aponta que no curso de Pedagogia da UniFil, a cada 40 ingressantes, apenas entre 25 e 30 concluem a graduação. O pró-reitor, entretanto, cita que não foi esse aproveitamento que fez a universidade não ofertar o curso no próximo vestibular. "É apenas um realinhamento, uma readequação à realidade de ensino", afirma. (F.G.)

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