Cursos de Medicina deverão justificar baixo desempenho
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Agência Estado 
Brasília - Dezessete dos 103 cursos de Medicina avaliados pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) apresentaram baixo desempenho e serão submetidos a um processo de supervisão pelo Ministério da Educação. As instituições - quatro delas federais - terão um prazo para justificar o mau rendimento e apresentar propostas para melhorar a atuação. Caso seja necessário, visitas de consultores serão realizadas. Se nada disso der resultado, instituições poderão ser fechadas.
O ex-ministro da Saúde Adib Jatene preside a comissão criada para avaliar a qualidade do ensino de Medicina. Serão três níveis de acompanhamento: regras para autorização de novos cursos, reconhecimento - que faz a análise antes de as turmas serem formadas -e supervisão de cursos em andamento - cujos resultados iniciais foram apresentados ontem. ''Será um trabalho difícil, complexo'', afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, ao apresentar os resultados. Ele admitiu que o índice de baixo desempenho dos cursos de Medicina (16% dos avaliados) não o surpreendeu.
Segundo ele, nos demais cursos, a média de baixo desempenho também girou em torno dos 20%. Para Haddad, no entanto, é preciso ainda esperar a justificativa das instituições de ensino para se formar um quadro completo da situação. Ele disse que não pode ser descartada, por exemplo, a hipótese de boicote aos exames -o que empurraria para baixo o desempenho no Enade.
Jatene citou a explosão dos cursos de Medicina - registrados ao longo dos últimos 20 anos - como um dos fatores principais para a baixa qualidade do ensino. Em 1994, havia 80 escolas de Medicina. Atualmente, são 175. Um processo que, em sua avaliação, é fruto da falta de regras para impedir o crescimento fora dos padrões.
No caso de autorização para cursos novos, regras mais rígidas foram propostas. O modelo deverá ser analisado e, caso os resultados não sejam adequados, eles poderão novamente ser alterados.
Entre as regras consideradas essenciais por Jatene está a exigência de que cursos de Medicina tenham um hospital de referência regional funcionando há pelo menos dois anos.
Para Jatene, essa experiência da fiscalização nos três momentos vai permitir corrigir as distorções detectadas nas novas escolas. ''Profissionais têm de ser realmente capazes para atender a população'', completou.
Entre as instituições com conceitos 1 ou 2 (baixos) no Enade e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD) está a mais antiga faculdade do País, a Faculdade de Medicina da Bahia - que este ano completou 200 anos. Para Haddad, o fato de figurarem na lista quatro instituições federais não preocupa. ''Federais também estão no grupo das que obtiveram melhor desempenho'', justificou.


