Brasília, 15 (AE) - Mais da metade (51%) dos cursos de jornalismo do País e um quinto dos de economia (21%) não têm condições mínimas de qualidade para funcionar. É o que indica o resultado da Avaliação das Condições de Oferta do Ministério da Educação (MEC), divulgado hoje pelo ministro Paulo Renato Souza. Na engenharia mecânica, 16% dos cursos também estão abaixo do padrão mínimo definido pelo MEC, condição que atinge apenas 2,5% dos de engenharia elétrica.
"A avaliação mostra a realidade que nós sabíamos existir no sistema de ensino superior no nosso País: uma realidade muito heterogênea, com faculdades muito boas ao lado de cursos muito deficientes", disse Paulo Renato. A Avaliação das Condições de Oferta foi feita no ano passado por comissões de especialistas que visitaram as instituições, analisando três itens: a qualificação dos professores, os currículos e as instalações.
Ao todo, 95 dos 410 cursos dessas quatro áreas do conhecimento receberam o pior conceito (insuficiente) em pelo menos dois itens. Isso significa que estão abaixo do padrão mínimo exigido pelo MEC. Desse total, 22 são oferecidos por instituições paulistas, entre elas as Universidades São Judas Tadeu, Mogi das Cruzes, Bandeirante e Estadual Paulista em Bauru (jornalismo) e as Universidades Paulista, de Marília e Católica de Santos (economia). A Universidade de São Paulo (USP), por ser do sistema estadual, optou por não participar.
Riscos - "Estamos fazendo este alerta - as instituições devem melhorar, senão serão eventualmente fechadas", disse Paulo Renato. Por determinação do ministro, os cursos de jornalismo (44), economia (38), engenharia mecânica (11) e engenharia elétrica (2) com dois ou mais conceitos insuficientes serão submetidos à renovação do seu reconhecimento apenas depois que tenham participado de três edições do Exame Nacional de Cursos (Provão).
No caso da engenharia elétrica e do jornalismo, isso vai ocorrer no fim do ano, após a divulgação dos resultados do Provão. Mas os cursos de economia e engenharia mecânica, que estrearam no Provão de 1999, só terão participado de três edições do exame em 2001. Só então poderão ser submetidos à renovação do reconhecimento.
Para Paulo Renato, isso não significa que os cursos vão esperar até lá para corrigir seus problemas. "Parto do princípio, até pela concorrência, de que as instituições querem melhorar." Raio X . Segundo o diretor de Políticas do Ensino Superior do MEC, Luiz Curi, a simples divulgação dos resultados da Avaliação das Condições de Oferta cumpre papéis "fundamentais", que são o de mostrar às universidades seus problemas, além de apresentar à sociedade um raio X do ensino oferecido.
Os cursos universitários precisam ser reconhecidos pelo MEC para que seus diplomas tenham validade. No ano passado, o governo deu início aos processos de renovação do reconhecimento, levando em conta o desempenho em três edições do Provão ou na Avaliação das Condições de Oferta.
Dos 101 cursos de direito, engenharia civil e administração então submetidos à renovação do reconhecimento, 12 correm o risco de ser fechados este semestre, caso não melhorem. Outros 69 de administração, direito, engenharia civil, engenharia química, medicina, medicina veterinária e odontologia - selecionados a partir do mau resultado no Provão - serão submetidos este ano à renovação do reconhecimento.

mockup