Curso pré-vestibular gratuito atende a três mil carentes no RJ
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terça-feira, 08 de junho de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 09 (AE) - Pelo menos três mil jovens carentes de todo o Estado do Rio de Janeiro estudam no curso Pré-Vestibular para Negros e Carentes. O curso é dado por 600 professores voluntários, com a ajuda da Igreja e de associações de moradores. O Pé-Vestibular vem conseguindo aprovar de 30% a 40% de seus alunos.
"Não teria entrado na universidade se não fosse o curso", afirmou o aluno bolsista do quinto período de Engenharia Química da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ), Márcio Flávio Silva de Oliveira, de 24 anos. "Nem sonhava com isso."
Formada em Letras pela PUC-RJ, Simone Batista Seguins, de 24 anos, é outra que só conseguiu uma vaga na universidade graças ao curso. "Com o salário que ganhava como professora primária não tinha condições de pagar um pré-vestibular", lembrou. Ela foi aluna da primeira turma do curso, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Atualmente são 68 turmas, em nove municípios. A iniciativa é considerada tão bem sucedida que o governo do Estado acaba de reconhecê-la: deu ordem às escolas estaduais da rede pública para que cedam salas de aula para o curso. Até hoje
o curso era ministrado em igrejas e associações de moradores ou
dependendo da boa vontade de diretores de escola, em salas de aula.
Os alunos contribuem mensalmente com uma taxa que varia de 5% a 10% do salário mínimo. O dinheiro é usado na compra de material e para fotocópias. Os professores não recebem nada. "Eles trabalham por solidariedade mesmo", atestou o coordenador e um dos fundadores do curso, Alexandre do Nascimento, professor de informática.
Para conciliar o curso com o horário dos professores e dos alunos que, em sua grande maioria, trabalham, as aulas são feitas aos sábados, das 8h às 19h. Além das disciplinas do currículo escolar, os alunos têm aulas de Cultura e Cidadania. "Discutimos, principalmente, a questão racial e a discriminação que os negros sempre sofreram no País", afirmou Oliveira, lembrando que, apesar do nome, o curso não é exclusivamente para negros.


